Constatação
Vê-se gente bué estranha por aí.
sexta-feira, setembro 17, 2004
segunda-feira, agosto 30, 2004
Jogos Olímpicos de Atenas 2004
Já não escrevia aqui há algum tempo. Ando a levar o termo férias demasiado a peito e ainda bem.
Vou aproveitar para expôr um comentário que escrevi no www.relvado.com no dia 27 de Agosto sobre algumas das incidências que marcam o desporto com base nos Jogos Olímpicos.
Se há algo que se tem desvanecido nos últimos Jogos Olimpicos é o espirito olimpico. Ele ainda existe, mas está cada vez mais perdido entre os patrocinios, as federações, os prémios monetários e a falta de fair-play entre os atletas.
Uma imagem que indica isto é a final dos 200 metros, onde o trio norte-americano fez jus ao favoritismo e assim ganharam os três primeiros lugares no podium. Nessa final, aquando as imagens antes da partida reparei na atitude do atleta Crawford, que posando às camâras, mostrou uma face arrogante e convencida, como se estivesse no trono do mundo. Essa imagem do atleta gabarolas em contraste com a concentração do namibiano Fredericks, que pedia ao mesmo tempo silêncio ao público, chegou para que eu ganhasse alguma aversão ao norte-americano. E maior ficou essa mesma aversão após o final da prova, já que Crawford ignorou os atletas dos outros países que o tentavam cumprimentar/felicitar, optando por unir-se aos seus 'irmãos de armas'.
Foi uma tremenda falta de respeito para com os seus concorrentes e foi uma atitude egocêntrica. Quando os melhores corredores são assim, é porque o desporto está em crise, é porque os valores de união, do combate leal, do respeito pelo adversário estão em crise. Após esses valores estarem em crise não me interessa se amam o país como mais ninguém, pois a realidade é que não são atletas olimpicos, são meros mercenários, aliçercados em patrocinios e treinadores que muitas vezes optam por caminhos desleais. O facto de 2 dos 3 primeiros classificados na prova dos 200m serem treinados pelo mesmo treinador da 'acabada' Marion Jones chega-me para saber de antemão que esta não terá sido uma prova justa. Acredito piamente que haja doping envolvido nesta prova.
E acredito também que há ainda atletas valentes e humildes como o Rui Silva ou a Fernanda Ribeiro (para citar só alguns) que tanto nos deram, mas que ainda assim são criticados como se as vitórias fossem uma obrigação. O público também tem uma certa culpa, pois já não vê os JO com o intuito de assistir a um espectaculo, mas sim com o intuito de ver a sua nação ganhar. Tornou-se um pouco como os adeptos que vão aos campos de futebol portugueses.
Há uma falha enorme na cultura desportiva, e essa só poderá ser reposta na educação familiar e escolar.
Já não escrevia aqui há algum tempo. Ando a levar o termo férias demasiado a peito e ainda bem.
Vou aproveitar para expôr um comentário que escrevi no www.relvado.com no dia 27 de Agosto sobre algumas das incidências que marcam o desporto com base nos Jogos Olímpicos.
Se há algo que se tem desvanecido nos últimos Jogos Olimpicos é o espirito olimpico. Ele ainda existe, mas está cada vez mais perdido entre os patrocinios, as federações, os prémios monetários e a falta de fair-play entre os atletas.
Uma imagem que indica isto é a final dos 200 metros, onde o trio norte-americano fez jus ao favoritismo e assim ganharam os três primeiros lugares no podium. Nessa final, aquando as imagens antes da partida reparei na atitude do atleta Crawford, que posando às camâras, mostrou uma face arrogante e convencida, como se estivesse no trono do mundo. Essa imagem do atleta gabarolas em contraste com a concentração do namibiano Fredericks, que pedia ao mesmo tempo silêncio ao público, chegou para que eu ganhasse alguma aversão ao norte-americano. E maior ficou essa mesma aversão após o final da prova, já que Crawford ignorou os atletas dos outros países que o tentavam cumprimentar/felicitar, optando por unir-se aos seus 'irmãos de armas'.
Foi uma tremenda falta de respeito para com os seus concorrentes e foi uma atitude egocêntrica. Quando os melhores corredores são assim, é porque o desporto está em crise, é porque os valores de união, do combate leal, do respeito pelo adversário estão em crise. Após esses valores estarem em crise não me interessa se amam o país como mais ninguém, pois a realidade é que não são atletas olimpicos, são meros mercenários, aliçercados em patrocinios e treinadores que muitas vezes optam por caminhos desleais. O facto de 2 dos 3 primeiros classificados na prova dos 200m serem treinados pelo mesmo treinador da 'acabada' Marion Jones chega-me para saber de antemão que esta não terá sido uma prova justa. Acredito piamente que haja doping envolvido nesta prova.
E acredito também que há ainda atletas valentes e humildes como o Rui Silva ou a Fernanda Ribeiro (para citar só alguns) que tanto nos deram, mas que ainda assim são criticados como se as vitórias fossem uma obrigação. O público também tem uma certa culpa, pois já não vê os JO com o intuito de assistir a um espectaculo, mas sim com o intuito de ver a sua nação ganhar. Tornou-se um pouco como os adeptos que vão aos campos de futebol portugueses.
Há uma falha enorme na cultura desportiva, e essa só poderá ser reposta na educação familiar e escolar.
segunda-feira, agosto 02, 2004
Entre-os-Fogos
A primeira etapa da volta a Portugal em bicicleta foi uma boa janela para os olhos dos que ainda duvidam da força do fogo. Ao mesmo tempo que os ciclistas rolavam pelo asfalto quente das terras próximas de Castelo Branco, o telespectador podia contemplar a paisagem completamente arrasada pelo fogo dos últimos dias naquela outrora verdejante floresta.
Eu sabia que o Euro2004 tinha sido uma excepção à nossa capacidade organizacional, não sabia é que o exemplo seguinte seria logo passado um mês.
Outro acontecimento do qual me recordei quando me deparei com esta nova vaga de chamas no solo nacional foi o de Entre-os-Rios. Tal como no ano passado ( e no anterior), falou-se de protecção civil, políticas ambientais e apoios às corporações de bombeiros a nível terrestre e essencialmente aéreo, mas, e para não variar no nosso cantinho à beira-mar plantado, as orelhas continuam todas moucas e será necessária uma catástrofe (como se esta situação já não fosse uma) para que hajam medidas. Foi por isto que me lembrei de Entre-os-Rios, visto que foi preciso a ponte cair para existirem vistorias e obras de recuperação às envelhecidas pontes espalhadas pelo nosso país. E, apesar de toda as medidas efectuadas com base na tragédia, ainda houve quem se limitasse a procurar culpados entre os areeiros e os governantes municipais, como se não passasse tudo de um jogo político. É neste contexto que cada vez mais situo os fogos em Portugal: numa luta política de interesses que desconhecemos, mas que certamente serão pessoais ou monetários.
No mesmo patamar criminal dos piromaníacos só mesmo essas pessoas preocupadas com tais interesses.
A primeira etapa da volta a Portugal em bicicleta foi uma boa janela para os olhos dos que ainda duvidam da força do fogo. Ao mesmo tempo que os ciclistas rolavam pelo asfalto quente das terras próximas de Castelo Branco, o telespectador podia contemplar a paisagem completamente arrasada pelo fogo dos últimos dias naquela outrora verdejante floresta.
Eu sabia que o Euro2004 tinha sido uma excepção à nossa capacidade organizacional, não sabia é que o exemplo seguinte seria logo passado um mês.
Outro acontecimento do qual me recordei quando me deparei com esta nova vaga de chamas no solo nacional foi o de Entre-os-Rios. Tal como no ano passado ( e no anterior), falou-se de protecção civil, políticas ambientais e apoios às corporações de bombeiros a nível terrestre e essencialmente aéreo, mas, e para não variar no nosso cantinho à beira-mar plantado, as orelhas continuam todas moucas e será necessária uma catástrofe (como se esta situação já não fosse uma) para que hajam medidas. Foi por isto que me lembrei de Entre-os-Rios, visto que foi preciso a ponte cair para existirem vistorias e obras de recuperação às envelhecidas pontes espalhadas pelo nosso país. E, apesar de toda as medidas efectuadas com base na tragédia, ainda houve quem se limitasse a procurar culpados entre os areeiros e os governantes municipais, como se não passasse tudo de um jogo político. É neste contexto que cada vez mais situo os fogos em Portugal: numa luta política de interesses que desconhecemos, mas que certamente serão pessoais ou monetários.
No mesmo patamar criminal dos piromaníacos só mesmo essas pessoas preocupadas com tais interesses.
quinta-feira, julho 15, 2004
É este o mundo em que (sobre)vivemos
É o país mais pobre do continente sul-americano e em alguns aspectos a sua situação social é pior do que a existente no Sudão. Os numerosos golpes de estado que se vão sucedendo nas últimas décadas e o esquecimento da comunidade internacional provocaram o desaparecimento quase total, do Haiti.
A insegurança é o principal problema e a polícia apenas dispõe de 6.000 agentes efectivos para velar pelos 8 milhões de habitantes do território.
80% da população haitiana sobrevive com menos de um dólar diário e não tem acesso a água potável e a electricidade. A SIDA cresce assombrosamente numa população em que a esperança média de vida não supera os 50 anos.
A história do Haiti é marcada pela saga dos ditadores Duvalier (François Duvalier e Jean-Luc Duvalier) e pelas Tonton Macoutes (voluntários a quem era dada licença para torturar e matar os opositores das políticas dos Duvaliers).
Em 1994, o país caribenho foi ocupado pelas tropas dos Estados Unidos, que devolveram o poder a Jean Bertrand Aristide. O seu governo manteve-se por 3 meses, quando as revoltas provocadas pela sua corrupçao o obrigaram a exilar-se na África do Sul.
Instaurou-se depois um governo provisório até às eleições do próximo ano. Muitos haitianos consideram que esta será a última oportunidade para erguer um país devastado política e socialmente.
É este o mundo que olhamos todos os dias e que continua, estranhamente, a rodar sobre si próprio, como se nada disto estivesse a acontecer. Pensamos nós que por vezes todo o mal do mundo nos cai em cima, mas para variar, esquecemo-nos daqueles que nada têm e que dariam tudo o que têm (que é pouco) para terem uma oportunidade como a nossa. Daí eu achar que os nossos problemas são cada vez mais rídiculos comparados com os problemas daqueles que pisam o mesmo mundo que nós.
Mais uma vez caí na real...
É o país mais pobre do continente sul-americano e em alguns aspectos a sua situação social é pior do que a existente no Sudão. Os numerosos golpes de estado que se vão sucedendo nas últimas décadas e o esquecimento da comunidade internacional provocaram o desaparecimento quase total, do Haiti.
A insegurança é o principal problema e a polícia apenas dispõe de 6.000 agentes efectivos para velar pelos 8 milhões de habitantes do território.
80% da população haitiana sobrevive com menos de um dólar diário e não tem acesso a água potável e a electricidade. A SIDA cresce assombrosamente numa população em que a esperança média de vida não supera os 50 anos.
A história do Haiti é marcada pela saga dos ditadores Duvalier (François Duvalier e Jean-Luc Duvalier) e pelas Tonton Macoutes (voluntários a quem era dada licença para torturar e matar os opositores das políticas dos Duvaliers).
Em 1994, o país caribenho foi ocupado pelas tropas dos Estados Unidos, que devolveram o poder a Jean Bertrand Aristide. O seu governo manteve-se por 3 meses, quando as revoltas provocadas pela sua corrupçao o obrigaram a exilar-se na África do Sul.
Instaurou-se depois um governo provisório até às eleições do próximo ano. Muitos haitianos consideram que esta será a última oportunidade para erguer um país devastado política e socialmente.
É este o mundo que olhamos todos os dias e que continua, estranhamente, a rodar sobre si próprio, como se nada disto estivesse a acontecer. Pensamos nós que por vezes todo o mal do mundo nos cai em cima, mas para variar, esquecemo-nos daqueles que nada têm e que dariam tudo o que têm (que é pouco) para terem uma oportunidade como a nossa. Daí eu achar que os nossos problemas são cada vez mais rídiculos comparados com os problemas daqueles que pisam o mesmo mundo que nós.
Mais uma vez caí na real...
Faleceu Germano Figueiredo
Germano Figueiredo, defesa-central da equipa do Benfica que se sagrou bicampeã europeia, faleceu esta tarde, com 71 anos, deixando o futebol português de luto.
Considerado um dos melhores defesas de todos os tempos em Portugal, Germano foi recentemente recordado nas comemorações do Jubileu da UEFA, sendo 53.º classificado entre 250 futebolistas que mais se destacaram para aquele organismo desde 1954.
Durante a sua carreira passou pelo Atlético (1951-1960) e pelo Benfica (1960-1966), tendo representado a Selecção portuguesa em 24 ocasiões, inclusivamente no célebre Mundial-66, no qual foi o «capitão» da equipa das Quinas que arrancou o terceiro posto final.
Verdadeiro líder dentro do campo, Germano destacou-se ainda pela sua polivalência, ficando na memória de todos a sua prestação na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1964/65, em San Siro, com o Inter, onde substituiu Costa Pereira na baliza do Benfica.
Por tudo o que fez pelo futebol português, o seu nome perdurará entre os grandes mitos do desporto em Portugal. Que descanse em paz
Germano Figueiredo, defesa-central da equipa do Benfica que se sagrou bicampeã europeia, faleceu esta tarde, com 71 anos, deixando o futebol português de luto.
Considerado um dos melhores defesas de todos os tempos em Portugal, Germano foi recentemente recordado nas comemorações do Jubileu da UEFA, sendo 53.º classificado entre 250 futebolistas que mais se destacaram para aquele organismo desde 1954.
Durante a sua carreira passou pelo Atlético (1951-1960) e pelo Benfica (1960-1966), tendo representado a Selecção portuguesa em 24 ocasiões, inclusivamente no célebre Mundial-66, no qual foi o «capitão» da equipa das Quinas que arrancou o terceiro posto final.
Verdadeiro líder dentro do campo, Germano destacou-se ainda pela sua polivalência, ficando na memória de todos a sua prestação na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1964/65, em San Siro, com o Inter, onde substituiu Costa Pereira na baliza do Benfica.
Por tudo o que fez pelo futebol português, o seu nome perdurará entre os grandes mitos do desporto em Portugal. Que descanse em paz
segunda-feira, julho 12, 2004
Bloguices I
Não tem havido muito tempo para eu actualizar isto com 'posts' que não sejam dedicados ao futebol. Porque o futebol é uma matéria básica de que qualquer um pode falar por menos capacidade de raciocínio que tenha.
É o futebol e a política.
Sobre a actual situação política de Portugal anda toda a populaça num bumba meu boi de opiniões politico-partidárias baseadas em conversas de café e jornais sensacionalistas. Não digo que as conversas de café sejam todas más, mas afirmo que as conversas sobre futebol e política em cafés costumam resultar apenas num motivo para gozar com o 'senhor que disse aquela estupidez da outra vez' ou resulta em conflitos introspectivos de dúbia sensatez porque é formado pelas opiniões que o 'outro gajo disse'.
Não tem havido muito tempo para eu actualizar isto com 'posts' que não sejam dedicados ao futebol. Porque o futebol é uma matéria básica de que qualquer um pode falar por menos capacidade de raciocínio que tenha.
É o futebol e a política.
Sobre a actual situação política de Portugal anda toda a populaça num bumba meu boi de opiniões politico-partidárias baseadas em conversas de café e jornais sensacionalistas. Não digo que as conversas de café sejam todas más, mas afirmo que as conversas sobre futebol e política em cafés costumam resultar apenas num motivo para gozar com o 'senhor que disse aquela estupidez da outra vez' ou resulta em conflitos introspectivos de dúbia sensatez porque é formado pelas opiniões que o 'outro gajo disse'.
segunda-feira, julho 05, 2004
Voltando à vida normal no que ao futebol diz respeito, observo com ar espantado a Superliga para a próxima época. Espantado e com orgulho, pois esta será uma Superliga repleta de jogadores campeões europeus a nível de clubes e de finalistas do Euro 2004. Quanto a treinadores, esta Liga não ficará nada atrás das outras.
FC Porto - Del Neri
- Apologista do ataque, mestre em surpresas através de um grande trabalho técnico-táctico, resta a dúvida se Del Neri será capaz de se adaptar ao futebol português.
SL Benfica - Trappatoni
- Treinador de índole defensiva, foi campeão seis vezes em Itália (Juventus [5]; Inter de Milão [1]) e uma na Alemanha (Bayern de Munique). Decepcionou no Euro2004 e alguns dizem que está em fase descendente da carreira.
Sporting CP - Peseiro
- Um treinador metódico e disciplinador, não apresenta grande currículo enquanto treinador principal. É uma aposta para o futuro e será bem sucedido se a estrutura dirigente do Sporting o permitir.
Boavista FC - Jaime Pacheco
- Jaime Pacheco poderá planear a época desde o ínicio e isso poderá tornar o Boavista na tal equipa aguerrida e eficaz que foi campeã em 2000/01.
FC Porto - Del Neri
- Apologista do ataque, mestre em surpresas através de um grande trabalho técnico-táctico, resta a dúvida se Del Neri será capaz de se adaptar ao futebol português.
SL Benfica - Trappatoni
- Treinador de índole defensiva, foi campeão seis vezes em Itália (Juventus [5]; Inter de Milão [1]) e uma na Alemanha (Bayern de Munique). Decepcionou no Euro2004 e alguns dizem que está em fase descendente da carreira.
Sporting CP - Peseiro
- Um treinador metódico e disciplinador, não apresenta grande currículo enquanto treinador principal. É uma aposta para o futuro e será bem sucedido se a estrutura dirigente do Sporting o permitir.
Boavista FC - Jaime Pacheco
- Jaime Pacheco poderá planear a época desde o ínicio e isso poderá tornar o Boavista na tal equipa aguerrida e eficaz que foi campeã em 2000/01.
domingo, julho 04, 2004
Portugal 0 - 1 Grécia (Final do Euro2004)
Os deuses do futebol estão loucos e decidiram premiar o futebol cínico e pouco vistoso desta Grécia germanizada. Estas são as características que fizeram dos helénicos campeões:
- o 'rolo compressor' defensivo, incluíndo as dobras constantes por mais do que um defesa;
- a ocupação total dos espaços a meio-campo;
- a rapidez de processamento e adaptabilidade da equipa face ás mudanças tácticas do adversário;
- a frieza na hora de encarar a baliza adversária;
- a energia que o treinador transmite para a equipa;
- e finalmente, a sorte.
Pesquisando as estatísticas, elas que são cruéis e não mentem, reparamos que a Grécia foi a equipa que conseguiu derrotar por 2 vezes o país anfitrião, derrotou a França (favorita pela carreira na fase de qualificação) e a Rep. Checa (favorita pela carreira no Europeu) e pelo meio empatou com a Espanha, perdendo com a Rússia pela margem de um golo, o suficiente para passarem.
Os meus sinceros parabens à Grécia!
E claro, os meus parabens a Portugal pelo aspecto desportivo e acima de tudo organizativo! Estamos todos de parabens porque realizámos um enorme evento onde as qualidades e defeitos de todos nós ficaram expostas. Pelo que deu para ver, os estrangeiros ficaram contentes com o nosso acolhimento e só podemos sentir-nos realizados por isso.
quinta-feira, julho 01, 2004
Ainda sobre o Portugal - Holanda, não sei se é por falta de algo melhor para fazer ou por tentar dar mérito aos jogadores portugueses, mas vou proceder a uma análise individual dos tugas:
Ricardo - Está super confiante e é um dos ícones do seleccionador Scolari. A maneira como acorre às bolas e como motiva os seus companheiros é meritória.
Miguel - Aproveitou o deslize de Paulo Ferreira no jogo inaugural e não mais largou o lugar. Aguerrido a defender, 'secou' um dos principais motores de jogo holandeses: Robben
Ricardo Carvalho - Chamá-lo Deus da defesa não é blasfémia. É o melhor central do mundo. Está em todo o lado, antecipa-se aos avançados em todas as situações e transporta jogo para a frente.
Jorge Andrade - Infeliz no auto-golo, conseguiu recompôr-se. É um excelente complemento a R. Carvalho devido ao seu jogo de cabeça e á sua rapidez.
Nuno Valente - Andou 'apertado' com a rapidez de Overmars mas o seleccionador holandês foi amigo e substituiu o avançado ao intervalo. A partir daí foi mais central que lateral.
Costinha - Parecia que andava meio perdido do jogo mas cortou muitas mais bolas que Davids. Fez do posicionamento a sua melhor arma contra os médios holandeses.
Maniche - Aquele golo está só ao alcance dos predestinados. Um golo fabuloso que comprova a utilidade deste médio de coração e raça em campo.
Deco - A maneira como partia sem medo para cima de 3 ou 4 defesas e só lhe tiravam a bola com faltas ( a maior parte não assinaladas) é de alguém que quer muito ganhar.
Cristiano Ronaldo - Irreverente, quer dar espectáculo a todo o custo. Marcou o golo inaugural no 'seu' estádio.
Figo - Foi o melhor em campo e isso diz tudo. Foi o Figo de Barcelona que ontem esteve em campo e que mexeu com tudo e todos. Saiu do campo a chorar de alegria. Um ídolo.
Pauleta - Não está bem a finalizar, mas conseguiu mexer com o ataque português, ao contrário do últimos jogos em que passou ao lado do jogo.
Petit - Muito útil na recuperação de bola, foi um entrave às pretensões atacantes dos holandeses.
Fernando Couto - O 'capitão' é ainda um grande central. Muito útil no jogo aéreo aquando o sufoco holandês.
Nuno Gomes - Esteve mais apagado do que Pauleta, embora tenha colaborado numas preciosas tabelinhas.
É esta a nossa selecção! É nela que acreditamos!
Portugal 2 - 1 Holanda
Como eu não tenho palavras para esta grandiosa vitória e a consequente passagem para a final - feito único no futebol português - resta-me ler (com especial gozo) o que se escreve na imprensa do país vizinho sobre Portugal e a sua selecção.
Esta é a recolha e tradução de excertos do artigo de opinião escrito por Eduardo Torrico para o jornal As:
(...)Figo trabalhou durante toda a temporada ao lado de eles (Raul, Beckham, Zidane, etc) e às ordens dos mesmos treinadores, e não só foi o jogador mais destacado do Real Madrid como também foi capaz de conservar a forma para chegar pletórico a Portugal(...)
(...)Neste galáctico Real Madrid apenas há um verdadeiro campeão: Luis Figo. É ele o único que quer ganhar até as peladinhas.
Por isso, aquela famosa frase que disse ao As: Se não me querem, faço as malas. Porque está farto de deixar a pele em campo para que os méritos sejam reconhecidos a outros que fazem bastante menos.
Aqui em Portugal não tem esse problema. Aqui não só é líder, dentro e fora do campo, como é também o ídolo nacional(...)
Por seu lado, Juan Cruz diz:
(...)No final, quebrou Deco. Parece que está próximo do Barça. Espero que não vejamos uma miragem no extraordinário futebolista. Se fosse eu que comprasse jogadores com os cheques de Barcelona voltaria a contratar Figo. Esteve imenso quase sempre; parecia o Figo que jogou no Barcelona(...)
J.M. Gozalo afirma:
(...)Luis Figo saiu de Alvalade a marcar a impronta do futebol luso, a apresentar as suas credenciais e a apagar todo o rasto de dúvida. Rápido, vertical, hábil, poderoso, jogando pela direita e pela esquerda, como nos seus melhores momentos(...)
Por fim, Juan Trueba comenta:
(...)Os nossos vizinhos da esquerda jogarão com toda a justiça a final do Europeu que eles mesmos organizam e isso deveria animarmos (aos espanhóis) um pouco, nem que seja por partilharmos a península e por muitos de nós termos alí parentes mais ou menos próximos(...)
terça-feira, junho 29, 2004
sexta-feira, junho 25, 2004
Portugal 2 - 2 Inglaterra
(6 - 5 após grandes penalidades)
Ganhámos!!!
E desta vez com inteira justiça porque fomos a melhor equipa em campo. Tivémos azar com quase tudo, começando pelo parcial árbitro e pelo cínico futebol inglês que marcou golos quando não os merecia. Mas o futebol é injusto e eu já não me admirava se não passássemos às meias-finais. Mas passámos, e os heróis são todos: jogadores, equipa técnica, público, povo português e até o desportivismo inglês! Foi uma festa incrível e agora...venha o próximo!
terça-feira, junho 22, 2004
Barreirense - Basquetebol termina 76 anos depois
(...)O Futebol Clube Barreirense não apresentou a candidatura à próxima edição do Campeonato da Liga de Basquetebol. O prazo de inscrição, estipulado pelos regulamentos para as equipas concorrentes à competição profissional, terminou no dia 15 de Junho. Os excelentes resultados obtidos nesta modalidade, parecem não ter sido suficientes para reerguer a situação do clube(...)
(...)Ao que tudo indica o Barreirense, o primeiro clube a ter basquetebol em toda a Margem Sul, vai ter mesmo de suspender a modalidade de basquetebol, que inclui neste momento cerca de 1800 atletas em formação, 76 anos depois do seu início(...)
Há noticias que me deixam completamente atónito. E esta que o Diário do Barreiro noticiou é uma delas. Tinha lido num dos vários panfletos municipais que o Barreirense estava numa grave situação financeira e que a solução passava pela escolha entre o futebol e o basquetebol, as modalidades que mais adeptos e praticantes atraem no concelho. E claro, o sacrificado é sempre o basquetebol, vá lá eu perceber porquê...
O futebol do Barreirense tem a sua equipa sénior a jogar na 2ª divisão B há mais de 10 anos e nesses anos penso que era obrigação a estabilização económica do clube. Contrariamente a esta estagnação do futebol, o basquetebol do Barreirense criou uma grande equipa, alicerçada em jovens formados no clube e que, segundo os técnicos de basquetebol, dentro de 2 ou 3 anos seria uma equipa para lutar pelo título. Um trabalho que demorou vários anos a ser construído, à custa de muito esforço pessoal de certas pessoas que vivem escondidas no suor diário de um trabalho que ninguém quer ver. Mais uma vez, perguntou-me pela coerência da escolha entre o futebol e o basquetebol.
Por último pergunto-me pelo que esses 1800 jovens (número exagerado quanto a mim...penso serem na ordem dos 500 e não 1800) sentirão com esta medida. Acho que esta não é a melhor maneira para eles criarem raízes pela sua cidade. Para além de lhes retirarem o que gostam de fazer, também não vi a criação de outras medidas (leia-se actividades) que os possam entreter.
Numa cidade com 100.000 habitantes, e com as recentes contribuições autárquicas e impostos vários parece-me absurdo que não se arranjem verbas que possam manter os basquetebol barreirense.
(...)O Futebol Clube Barreirense não apresentou a candidatura à próxima edição do Campeonato da Liga de Basquetebol. O prazo de inscrição, estipulado pelos regulamentos para as equipas concorrentes à competição profissional, terminou no dia 15 de Junho. Os excelentes resultados obtidos nesta modalidade, parecem não ter sido suficientes para reerguer a situação do clube(...)
(...)Ao que tudo indica o Barreirense, o primeiro clube a ter basquetebol em toda a Margem Sul, vai ter mesmo de suspender a modalidade de basquetebol, que inclui neste momento cerca de 1800 atletas em formação, 76 anos depois do seu início(...)
Há noticias que me deixam completamente atónito. E esta que o Diário do Barreiro noticiou é uma delas. Tinha lido num dos vários panfletos municipais que o Barreirense estava numa grave situação financeira e que a solução passava pela escolha entre o futebol e o basquetebol, as modalidades que mais adeptos e praticantes atraem no concelho. E claro, o sacrificado é sempre o basquetebol, vá lá eu perceber porquê...
O futebol do Barreirense tem a sua equipa sénior a jogar na 2ª divisão B há mais de 10 anos e nesses anos penso que era obrigação a estabilização económica do clube. Contrariamente a esta estagnação do futebol, o basquetebol do Barreirense criou uma grande equipa, alicerçada em jovens formados no clube e que, segundo os técnicos de basquetebol, dentro de 2 ou 3 anos seria uma equipa para lutar pelo título. Um trabalho que demorou vários anos a ser construído, à custa de muito esforço pessoal de certas pessoas que vivem escondidas no suor diário de um trabalho que ninguém quer ver. Mais uma vez, perguntou-me pela coerência da escolha entre o futebol e o basquetebol.
Por último pergunto-me pelo que esses 1800 jovens (número exagerado quanto a mim...penso serem na ordem dos 500 e não 1800) sentirão com esta medida. Acho que esta não é a melhor maneira para eles criarem raízes pela sua cidade. Para além de lhes retirarem o que gostam de fazer, também não vi a criação de outras medidas (leia-se actividades) que os possam entreter.
Numa cidade com 100.000 habitantes, e com as recentes contribuições autárquicas e impostos vários parece-me absurdo que não se arranjem verbas que possam manter os basquetebol barreirense.
domingo, junho 20, 2004
Espanha 0 - 1 Portugal
Passámos! E assim o povo já pode sair à rua e buzinar com os seus bólides pela noite dentro como se tivéssemos vencido a última das batalhas contra a invencível armada. Somos (também o sou porque nasci neste solo) uma cambada de incivilizados que aproveita o mais mesquinho dos triunfos para nos esbatermos em cerveja, gritos e festa e também para esquecer momentaneamente o estado socioeconómico de Portugal. Uma boa vitória que nos permitiu o avanço para os quartos-de-final do Euro2004 e é só. Porque estamos todos a festejar como loucos isto? Ganhámos alguma coisa? Talvez por isto é que nunca ganhámos nenhum trofeu relevante a nível de selecções. Porque festejamos antes do tempo. Porque após o jogo contra os gregos erámos uma merda e agora somos uma equipa soberba.
Honro a equipa portuguesa que não se deixou abater pelo mau resultado inicial, mas condeno o euforia desmedida dos portugueses quando a equipa ganha.
sábado, junho 19, 2004
Holanda 2 - 3 Rep. Checa
Grande jogo de futebol! A Holanda teve a sorte do jogo até ao seu 2º golo mas depois os novos mestres das reviravoltas fantásticas apareceram. 3 golos espectaculares (o segundo então é capaz de ser o melhor golo deste europeu em termos colectivos) e a Holanda a fazer contas. Os checos já haviam ganho a estes holandeses na fase de qualificação e demonstraram uma vez mais que as grandes equipas são aquelas em que as individualidades só aparecem depois. Quanto aos checos, foram a primeira equipa qualificada para os quartos-de-final. Uma pequena nota para o 'tiro' de Nedved ao poste da baliza de Van Der Sar, executado a mais de 30 metros da baliza e que se entrasse era simplesmente o melhor golo do europeu. A potência e colocação de cada remate deste esquerdino é simplesmente apaixonante.
terça-feira, junho 15, 2004
Suécia 5 - 0 Bulgaria
Bom jogo, em que os suecos revelaram uma extrema eficácia, a fazer lembrar as equipas italianas. O jogo foi algo aberto com as oportunidades de golo a repartirem-se. A Bulgaria só se pode queixar de si própria, pois das quatro ou cinco oportunidades de golos (uma delas flagrante) não logrou marcar um único golo. Do outro lado, os suecos foram implacáveis na hora de visar a baliza búlgara, com especial destaque para Henrik Larsson. Marcou 2 golos (o primeiro deles soberbo) e originou a desmarcação para a grande penalidade sobre Allbäck. Estiveram também em evidência Ibrahimovic e Ljungberg, jogando e fazendo jogar. De qualquer maneira pareceu-me um resultado injusto nos numeros, pois a equipa búlgara, pelo que jogou (especialmente Martin Petrov e Peev) não mereciam tal goleada. Quem não se compadeceu disso foi Larsson, o herói sueco e um dos avançados mais subvalorizados do futebol mundial.
Letónia 1 - 2 Rep. Checa
Boa partida de futebol, em que a disposição táctica das equipas foi a esperada: Letónia a defender com acutilância sobre o seu meio-campo e Rep. Checa a centrar o seu jogo nos pés de Rosicky e Nedved. Como estes dois não estavam muito inspirados, optou-se pelo nosso conhecido Poborsky e aí o jogo ganhou mais rapidez e interesse. Contra a corrente do jogo e após um jogada gananciosa de Baros, a Letónia partiu para o contra-ataque e conseguiu marcar um golo no final da 1ª parte. Verpakovskis foi o autor. A surpresa durou até meio da 2ª parte, quando a Rep. Checa empatou através de Baros após uma excelente jogada do dinâmico Poborsky. Com este golo, os letões perderam o seu rigor defensivo e, sem surpresa, Heinz marcou o golo da vitória a 10 minutos do final. No final, fico com a ideia que esta Letónia é uma equipa muito bem trabalhada defensivamente com jogadores muito rápidos no ataque. Quanto ao meio-campo, não há um médio ofensivo, apenas médios de destruição. Talvez consigam um ponto nos seus 3 jogos e isso seria um bom prémio para esta equipa. Quanto aos checos, espero bem mais deles do que mostraram neste jogo.
domingo, junho 13, 2004
França 2 - 1 Inglaterra
O primeiro grande espectáculo do Europeu foi-nos oferecido hoje com a antecipada 'final' entre Inglaterra e França. O jogo foi chato na primeira parte (que eu não pude ver mas que me foi resumido nessa palavra), apenas abalado pelo golo de Lampard. Um golo contra a corrente de jogo e que perturbou o ataque dos 'bleus', transmitindo confiança à remendada defesa inglesa. Um tal de King a central demonstrou esses remendos e a verdade é que até esteve muito bem.
Depois surgiu a segunda parte e com ela o momento chave do jogo: o penalty sobre o puto Rooney. A popstar Bechkam encarregou-se da marcação do penalty e não o converteu, tendo Barthez defendido espectacularmente o remate de Becks. Aí viu-se uma diferença de inspiração entre o redes francês e o português. O que veio a seguir foi de loucos. Zidane marcou o golo de empate no minuto 90 depois de uma execução perfeita de um livre directo, e, passado 2 minutos, marcou o penalty vitorioso castigando falta sobre Henry (depois de um passe infantil de Gerrard). Quando a equipa dos galos mais precisa aparece sempre alguém e esta é a principal diferença entre os franceses e os portugueses. Foi assim em 1984, em 1998, em 2000 e agora em 2004. Se Deus agora é francês, então devíamos ter naturalizado o Pires em vez do Deco..eheh
sexta-feira, junho 11, 2004
Eleições Europeias
Ainda sobre a cegueira futebolística que referi no artigo de 28 de Maio, o João elaborou um excelente artigo dando conta desse fenómeno. Leiam e reflictam.
Quanto a mim e apesar de ir trabalhar às 10 da manhã no Domingo, também irei votar. Ainda não sei com precisão em quem, pois o candidato que me parecia mais coerente caiu numa tragédia que nos deixa sem palavras. Outro factor que me deixa indeciso é o facto desta campanha para as europeias ter sido pautada pela miséria do debate europeu, pois não vislumbrei qualquer troca de argumentos que não tivesse como base o estado da politica portuguesa. Talvez como no futebol, a visão política dos portugueses para a Europa ainda está na fase do kick and rush.
Ainda sobre a cegueira futebolística que referi no artigo de 28 de Maio, o João elaborou um excelente artigo dando conta desse fenómeno. Leiam e reflictam.
Quanto a mim e apesar de ir trabalhar às 10 da manhã no Domingo, também irei votar. Ainda não sei com precisão em quem, pois o candidato que me parecia mais coerente caiu numa tragédia que nos deixa sem palavras. Outro factor que me deixa indeciso é o facto desta campanha para as europeias ter sido pautada pela miséria do debate europeu, pois não vislumbrei qualquer troca de argumentos que não tivesse como base o estado da politica portuguesa. Talvez como no futebol, a visão política dos portugueses para a Europa ainda está na fase do kick and rush.
segunda-feira, junho 07, 2004
Subscrever:
Comentários (Atom)