quinta-feira, agosto 28, 2008

Mais um mail de perguntas idiotas

Há pessoal que se deve julgar no direito de fazer perguntas destas, pura e simplesmente porque têm um espírito curioso e tudo lhes faz confusão, ou então porque não têm mesmo mais nada que fazer. Perguntas como "Porque temos consciência?" ou "Porque há pessoas que julgam ter renascido dos mortos?" têm muito mais interesse do que aquelas que aqui deixo e respondo:

P - Como é que se escreve zero em algarismos Romanos?
R - O povo romano era sobretudo prático e ter um algarismo que vale zero é irrelevante para a vida.

Porque é que os Flintstones comemoravam o Natal se eles viviam numa época antes de Cristo?
Porque o Son Goku mudava a cor do cabelo quando passava para super guerreiro? Porque os Pokemons saem de dentro de bolas? It's just a fuckin' cartoon!

Porque é que os filmes de batalha espaciais têm explosões tão barulhentas se o som não se propaga no vácuo?
Há pessoal que descobre qualquer coisa e parte logo para a desmistificação total. A maior parte da malta que gosta de Sci-Fi sabe disso, no entanto é só perguntar que qualquer um diz que o Star Wars não seria o mesmo se a Death Star não tivesse feito barulho nenhum.

Se depois do banho estamos limpos porque é que lavamos a toalha?
Se não for lavada a suavidade vai-se toda. Claro que para quem toma banho de palha de aço isso tanto faz...

Se Deus está em todo lugar, porque é que as pessoas olham para cima para falar com ele?
Pirâmides, Obeliscos, Dólmens e Catedrais não dizem nada? Sim, estão todos a apontar para o céu e são todos marcos religiosos. O Cristianismo apenas seguiu o exemplo.

Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres escolhem tanto?
As mulheres que escolhem muito são normalmente as que tiveram várias decepções, daí que digam que são todos iguais.

Porque é que a palavra 'Grande' é menor do que a palavra 'Pequeno'?
Interessa o sentido das palavras, não o seu número de letras.

Porque é que 'Separado' se escreve tudo junto e 'Tudo junto' se escreve separado?
Interessa o sentido das palavras, não a sua morfologia.

Se o vinho é liquido, como pode existir vinho seco?
Esta até é engraçada, pois o vinho seco, como tem mais açúcar por litro do que um vinho normal, acaba por nos dar sede depois de o bebermos. Olha que há coisas...

Porque é que as luas dos outros planetas têm nome mas a nossa se chama só Lua?
Lua é o nome do satélite natural da terra. Chamar lua a um outro satélite de outro planeta não é de todo correcto, no entanto é o recorrente. Não vejo problemas nisso.

Por que as pessoas apertam o comando da televisão com mais força quando a pilha está fraca?
É uma forma de aliviar a frustração por terem perdido poder sobre a TV, visto que parou exactamente nos morangos com açúcar e o botão para mudar de canal não quer funcionar.

O Instituto que emite os certificados de qualidade ISO 9002 tem qualidade certificada por quem?
Pelos elaboradores dos certificados ou instituição acima desta. Caso não haja, parabéns, chegaste ao mais alto dos degraus de certificação de qualidade!

Quando inventaram o relógio como sabiam que horas eram para poder acertá–lo?
Andaram os povos ancestrais a medir o tempo através do Sol, da Lua, das marés e dos ventos para quê? Para vir um parvo qualquer gozar com o trabalho deles desta maneira?

Se a ciência consegue desvendar até os mistérios do DNA, porque é que ninguém descobriu ainda a fórmula da Coca-Cola?
Isso é porque ainda não experimentaram a Coca-Cola do Pingo Doce. É igualzinha!

Como foi que a placa 'É Proibido Pisar a Relva' foi lá colocada?
Antes da relva crescer? Pelo jardineiro? Pelo dono da relvinha? Oh well...

Porque é que quando alguém nos pede que ajudemos a procurar um objecto perdido temos a mania de perguntar: 'Onde é que perdeste?
Por acaso tenho o felicidade de não perguntar isso... não devo ser deste mundo aparentemente.

Porque é que há pessoas que acordam os outros para perguntar se estavam a dormir?
Eu por acaso pergunto "Estás acordado/a?" Enfim, não sou definitivamente deste mundo, onde perguntas escusadas reinam e ocupam espaço no mundo virtual.
Sobre o dirigismo em Portugal
Acabou há poucos minutos a entrevista efectuada pela SIC ao presidente do Comité Olímpico Português, Vicente Moura de seu nome, tendo resultado desta uma profunda crítica aos órgãos de comunicação social, pois segundo o mesmo, foi passada uma mensagem em Portugal diferente daquilo que realmente aconteceu em Pequim. Concluída com a promessa de enviar ao governo um relatório detalhado do que falhou nos Jogos Olímpicos, Vicente Moura salientou ainda que existe a necessidade de encontrar alguém adequado para falar à imprensa em nome da comitiva.

Na minha perspectiva, penso que Vicente Moura esteve bem na sua função. Além de ter conseguido criar pressão competitiva nos atletas através do número de medalhas que esperava alcançar (se tivesse dito que só esperava 2 medalhas chamavam-lhe de conformado e pouco ambicioso), conseguiu depois reconhecer que a pressão sobre a comitiva começou a ser exagerada (culpa integral da comunicação social que empolou a 1ª semana sem medalhas a um nível de escândalo) e soube canalizar as atenções quando chamou a si a notícia da sua demissão, dando a cobertura necessária para Nelson Évora realizar a sua final sem expectativas desmedidas.

Dito isto, estranha-me que se veicule pela comunicação social que o dirigismo olímpico português precisa de mudanças rapidamente quando escândalos de corrupção abalam o futebol português constantemente. Esses sim devem ser criticados e julgados o mais brevemente possível e de forma justa. Isto para não falar dos presidentes que prometem títulos ano após ano sem sucesso e no entanto sobrevivem à frente dos seus clubes.

Voltando ao Olimpismo, há que dizer que, no meio de toda esta algazarra desmedida à volta dos Jogos, esqueceu-se do principal: a concepção dos Jogos Olímpicos é a sua participação, competição e glória. Conquistar tudo isso está ao alcance de poucos, porém não devemos criticar quem atinge só a participação, pois só isso já é um feito digno de realce num mundo cada vez mais crítico, selvagem e desprezador dos feitos individuais ou colectivos.

É ainda na participação que está a base do desporto, por isso é inteira competência dos dirigentes apelarem à mesma e não colocar entraves monetários, físicos ou psicológicos à sua prática. Ao menosprezarem a participação, os dirigentes tornam-se nos principais inimigos do desporto, daí que diga que a atitude de valorização do grupo por parte de Vicente Moura (mesmo quando muitos tentavam quebrar o espírito de equipa) tenha sido um dos melhores exemplos de gestão dado por um alto cargo do desporto português nos últimos tempos.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Balanço Olímpico de Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008


2 medalhas, uma de ouro e outra de prata. Este é o pecúlio português, que à vista desarmada parece pouco, mas que se trata somente da mais vencedora presença portuguesa na prova!

Parece pouco porque as expectativas dadas pelo Comité Olímpico Português ao governo (que possibilitaram assim um maior investimento em relação a 2004) foram cifradas em 4 medalhas. Parece igualmente pouco tendo em conta que o número de atletas portugueses presentes em Pequim foi o mais alto de sempre. E finalmente, parece pouco pois a nossa tendência negativista tornou os fiascos numa notícia com mais impacto do que os bons resultados.

Visto isto, importa afirmar que Portugal poderia ter trazido melhores resultados, inclusive mais uma ou duas medalhas. A falta de sorte nos momentos decisivos pode explicar algo, assim como a falta de mentalidade vencedora de alguns atletas. Ainda assim, folgo em saber que o investimento efectuado acabou por dar frutos. Não tanto nas grandes promessas a medalhas (que já passarei a referir em pormenor) mas sim nos desconhecidos, naqueles que fizeram excelentes resultados e que ganharam em Pequim uma experiência muito útil para o futuro. Entre esses nomes destaco Ana Cabecinha, Vera Santos, Ana Hormigo, Diogo Ganchinho ou Marco Freitas. São nomes para o futuro e dos quais se espera já algo para 2012.

Por outro lado, há uma palavra a dizer sobre os experientes que fizeram bons resultados nestes jogos: António Pereira e a dupla Bernardo Santos -Afonso Domingos, assim como Bruno Pais obtiveram excelentes resultados, dignos de menção. Se conseguirem manter a forma pode ser que consigam ir mais além em 2012, embora a idade acabe na maior parte das vezes por ser um obstáculo intransponível em desporto.
Segue agora a análise individual dos candidatos portugueses a medalhas à partida para estes jogos:

Vanessa Fernandes: Líder do Ranking Mundial Feminino, foi apenas superada na prova por uma australiana imparável. A medalha de prata sabe a pouco tendo em conta o grande valor de Vanessa, mas por outro lado não deixou de ser a confirmação de um talento dourado do desporto português. Nota 16 (de 0 a 20)

Telma Monteiro: Infelizmente o 9º lugar obtido não representa o valor desta jovem e aguerrida atleta. As provas não lhe correram de feição e não superou o peso de estar nuns JO, mas fica a experiência para 2012. Nota 9

Gustavo Lima: Lutou muito contra todos e ficou a um pequeno passo das medalhas. O 4º lugar representa um grande dissabor, mas fica na retina a luta deste bravo português. Nota 16

Nélson Évora: Grandioso espectáculo no triplo salto onde alcançou o lugar mais alto do pódio. Excelente performance e confiança. Depois de ter sido o porta-estandarte da comitiva, foi igualmente o salvador da mesma ao nível das medalhas. Nota 20Francis Obikwelu: Foi decepcionante vê-lo acabar a eliminatória a perder para adversários que Obikwelu num dia normal supera. Mesmo com o espectro de um temível Bolt, Obikwelu ficou muito além da fasquia traçada por ele mesmo. Nota 8

Naide Gomes: Foi possivelmente a maior decepção. Passou de favorita a desqualificada num ápice e sem qualquer honra. Em 2012 esperamos que ela tenha superado o trauma que estes jogos lhe deixarão. Nota 6

terça-feira, agosto 05, 2008

Perguntas e respostas


Qual a acção a tomar para saber "ler" notícias?
- Procurar aquilo que nos é útil e não aquilo que é passageiro.

O que fazer quando a desinspiração é o motor de vida dos jovens?
- Ouvir o que eles têm a dizer e aumentar assim a nossa auto-estima.

Como acompanhar a moda?
- Perguntando a alguém mais velho se estamos suficientemente ridículos.

Como poupar dinheiro?
- Não ter cartão multibanco.

Porque é que os velhos resmungam tanto?
- Porque é a moda mais velha da humanidade.

sexta-feira, julho 25, 2008

O preço da miséria

A inflação galopante do Zimbabwe oferece-nos estes casos: a nova nota de 100 mil milhões de dólares do Zimbabwe dá para comprar algo como 3 ovos ou um quilo de arroz. Vincula-se que é necessária uma ampla reforma no preço do dinheiro neste país de África ao que eu acrescento: urge sim uma reforma total no modo como o país está a ser conduzido. No estado em que as coisas estão, o futuro do Zimbabwe não passará de um mito.

sábado, julho 12, 2008

Fados

A discussão em torno da Fundação Amália mostra-me de forma inequívoca que os valores do fado que a acompanhavam foram com ela para a tumba. Dizem-me que alguém tem que gerir o que por ela foi deixado, embora ninguém queira assumir a completa responsabilidade de tal tarefa, pois o fardo é pesado demais. Curiosamente, quem participa na discussão são exactamente aqueles que, acabado o funeral, se levantaram logo exigindo que o seu espólio fosse para o local certo. Claro que nunca se deram ao trabalho de explicar qual o caminho desse local, deixando os seus bens - que não passam disso, bens pessoais da fadista - entregues a si mesmos. Já passa algum tempo do falecimento da fadista e é pena, que aqueles que se insurgiram contra o interesse do Estado no espólio, peçam agora que este actue.

Pelo meio, encontro em Lisboa um japonês, com uma guitarra portuguesa ao lado, lendo artigos de fado, embrenhado num mundo que para nós portugueses, diz cada vez menos, muito devido a todas as quezílias e interesses que reinam no fado-negócio.
A esperança do fado encontra-se nestes ilustres desconhecidos turistas, que tentam aos poucos assimilar a cultura fadista, ouvindo aqui e acolá aquelas intragáveis palavras que dizem que apenas os portugueses podem apreciar na plenitude o fado. Triste, muito triste o nosso fado, quando queremos guardar o sentimento só para nós.

Submissões

O que é pior: a angústia da decisão ou a decisão angustiante?

domingo, junho 15, 2008

O fim da pior semana socrática

Esta semana foi, sem grandes dúvidas, a pior semana vivida pelo governo de Sócrates durante o seu mandato. O estado de anarquia em que parte da sociedade entrou revelou-nos cenários que, embrenhados numa vida quotidiana e já de si difícil, julgávamos impossíveis de acontecer. É certo que não foi o princípio de uma guerra, mas também há a reconhecer que foi uma balbúrdia pior que a do buzinão da ponte em 1995 (que se revelou o princípio do fim do governo cavaquista) e, tendo em conta esse facto, é importante perguntar: será que o protesto dos camionistas marca igualmente o fim de Sócrates como PM?

É curioso que parte da resposta a essa questão tenha vindo de onde menos se esperava: da Irlanda. O Não irlandês no referendo ao Tratado de Lisboa foi para Sócrates a última facada pelas costas que poderia ter recebido numa semana indescritivelmente má, pois o esforço levado a cabo por ele na política externa foi imenso e, falhando esta, desvaneceu-se igualmente uma das suas últimas tábuas de salvação. As restantes são apenas duas: os valores estatísticos positivos numa era de dificuldade económica global e a oposição frágil. De salientar que apenas a estatística ainda é controlada por ele, ou seja, Sócrates tem agora muito pouco por onde se agarrar quando chegarmos às eleições.

Falo nisto sob a perspectiva das várias opiniões que tenho ouvido, pois considero que Sócrates tem procedido bem com algumas políticas que já há muito deveriam ter sido elaboradas. Refiro-me concretamente à aposta nas energias renováveis, à reestruturação dos sectores da educação e da saúde e ao reordenamento da função pública. Em teoria, isto já devia ter sido feito há longos anos atrás, contudo, a maneira como está a ser feito tem sido demasiado tecnocrata. Todos sabemos que são processos difíceis face a muitos valores tradicionais e anti-progressistas incutidos nas pessoas, mas ainda assim este governo deveria ter maior capacidade de visão aos problemas reais das pessoas. Como fazê-lo? Essa é a grande questão que este governo não vai solucionar, nem possivelmente nenhum que lhe venha a suceder. É um problema acima de tudo de modelo. A nossa democracia carece de comunicação entre os governantes e o cidadão comum, sendo que o intermediário - vulgo deputado - está preso perante a opinião da sua bancada e não defende seriamente o território que o elegeu, ou seja, o deputado é apenas um número, um voto. Esse é possivelmente o maior problema do nosso modelo democrático e que dificulta em muito a tarefa de quem deseja impor medidas ajustadas à realidade.

quinta-feira, maio 01, 2008

Cabo da Boa Esperança

Todos nós temos os nossos Adamastores. Não importa quão fortes sejam, a única possibilidade que temos é avançar e desafiá-los. Só assim se consegue a glória, veneração, respeito ou, tendo em conta o mundo actual, alguma tranquilidade.

quarta-feira, abril 30, 2008

Verdade Universal
As estrelas maiores morrem mais depressa

sexta-feira, março 28, 2008

Chelas-Barreiro

Com o apoio dado pelo LNEC à opção Chelas-Barreiro, quase de certeza que o debate da melhor opção para a terceira travessia sobre o Tejo fica arrumado. Não duvido que uma nova ponte seja fundamental para melhorar a acessibilidade a Lisboa, no entanto, fica a ideia que o processo foi demasiado acelerado para um país que ainda há pouco tempo investiu tanto numa outra ponte. Para realçar a questão, há que também contar com o investimento recentemente realizado pela Soflusa nos novos navios que fazem a ligação entre Barreiro e Lisboa e que, com uma nova ponte, podem vir a cair em desuso. Por fim, dá-me também a impressão que as outras alternativas não foram realmente tidas em conta. Algés-Trafaria é um percurso que mais cedo ou mais tarde se irá realizar, mas que foi praticamente esquecido neste processo. Pelo meio, a CM Barreiro e do Seixal já estão a tratar de reconstruir a ponte que outrora unia as duas freguesias e que possibilitará um fluxo de trânsito para sudoeste da península de Setúbal, exactamente onde encaixaria a ponte Algés-Trafaria. Parece-me que este assunto de enorme importância nacional foi tratado com alguma leviandade por parte dos responsáveis governamentais e pelas restantes forças políticas e consequentemente, poderá ter um enorme impacto negativo na nossa já frágil economia.

sexta-feira, março 14, 2008

Desmistificação da manifestação dos professores

Recolhi alguns comentários e ideias sobre a greve dos professores, que segundo os organizadores, levou mais de 100 mil professores à rua e cheguei à conclusão que, de facto, alguém está muito enganado, senão vejamos:
  • O Terreiro do Paço tem cerca de 2km² e a meu quarto tem 16m². Se eu meter 100 mil pessoas em 2km², isso significa que, em proporção, caberiam 50 pessoas num espaço semelhante ao do meu quarto, o que me parece possível apenas se se amontoarem todos em cima uns dos outros. Pelas imagens de televisão vimos muitas clareiras e não vimos professores ao colo uns dos outros, logo diria que tivessem apenas metade desses 100 mil.
  • Dessas 50 mil pessoas que se manifestaram no Terreiro do Paço (e em outros locais de Lisboa), acho que apenas metade ou um terço era realmente professor, pois grande maioria dos docentes levaram com eles família (a maior parte o cônjuge, outros até os filhos).
  • Há ainda a juntar aqueles que receberam SMS e que acabaram por aderir e aqueles que estiveram lá em apoio dos professores. Eu recebi uma SMS para "juntar-me à luta", mas não fui. Contudo, acredito que devam ter ido umas 10 mil pessoas via sms, convite ou meramente por apoio político ou social.
Analisando bem a coisa, estariam somente um quarto dos 100 mil professores que foram anunciados. É certo que 25 mil professores contestários das políticas governamentais ainda é um número bem sonoro e que deve ser ouvido pelo governo, mas no fundo, fica a ideia que a questão foi muito empolada pela comunicação social devido a um número que realmente não aconteceu.

Para mim, a sindicalização e partidarização do protesto dos professores não os leva a lado nenhum. Se querem realmente ser ouvidos unam-se, façam greve ou levem o caso para Bruxelas. Remeter tudo para um conjunto de indivíduos que apenas quer encher os bolsos é aquilo que se passa durante o resto do ano.

quinta-feira, março 06, 2008

Sigla desconhecida até hoje

PPP = Parceria Público-Privada

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

CTT acusa DECO de difamar os serviços de correios

O debate que a SIC Notícias efectuou sobre este assunto opôs o director geral da DECO e um representante dos CTT e foi suficientemente incisivo para as comadres se zangarem. Não sei se divulgaram verdades, mas deu para perceber que cada um defendeu a sua dama fortemente. A mim pareceu-me que o representante dos CTT estava exaltado demais e atacou (muitas vezes injuriosamente) a DECO nos seus métodos de avaliação e comparação. Não condeno que se critique a DECO, até acho que tal deve ser feito de forma a que esta associação evolua nos seus critérios, mas acho que tem que se manter algum nível na crítica, pois a DECO é hoje um dos poucos pilares sob os quais os portugueses se podem apoiar nos casos de engano ou burla por parte das empresas e seus produtos. Tudo bem que os CTT se sintam indignados por uma má avaliação da DECO, mas que se fale em difamação e não em má crítica é um claro sinal de desconforto e exaltação no seio da maior empresa de correios nacional.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Reflexão

Sempre desconfiei que o sistema fosse assim. Sempre me alertaram para a falta de carácter da larga maioria dos envolvidos e sempre me avisaram que a única coisa que lhes os move é o interesse pelo poder enquanto forma de patente. O objectivo nunca passa pelo aproveitamento que tal cargo ofereça no sentido de ajudar os próximos, mas sim pela mera ocupação e usufruto de forma a poder mover interesses e recolher benefícios pessoais.

A máquina burocrática, a comunicação social dramatizada, os processos judiciais e o clima de instabilidade e insegurança visam unicamente criar um tipo de cenário ideal para o aparecimento de figuras sebastiânicas. Nesses momentos corta-se com o passado e olha-se para o futuro, numa clara demonstração de fiabilidade na democracia, a bóia de salvação de toda a situação. É estranho que uma das nações com identidade cultural mais vincada devido à longa história que possui seja, provavelmente, aquela que menos ideias retirou do passado.

Não sei se a democracia é o mais fiável de todas as formas de governação, não sei se o progresso é possível sem olharmos para o que ficou para trás, mas sei que, no fundo desta amargurada alma, mora a maior das desilusões pela incapacidade do ser humano em corrigir aquilo que está errado. Temos a ambição e o raciocínio para evoluir, mas será que perdemos a coragem?

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

E ainda assim, perante situações que deveriam ser vistas da forma mais natural possível, nós ainda ficamos estáticos e sem saber como agir.

domingo, fevereiro 03, 2008

A Nova História

O rumo da História para os tempos que se seguem terá que ser feito através da má História, isto é, da opinião do historiador sobre os acontecimentos. O interesse da população pela História centra-se nas emoções e essas, como todo o sentimento fácil e pouco objectivo que a globalização proporciona, só podem ser transmitidas pela adjectivação dos períodos e factos históricos. O método funcionalista continuará a ser usado, mas será certamente mais importante o resultado do debate entre o pólo trágico e o romântico do que a visão assertiva e imparcial das outras ciências. A parcialidade é o futuro da História.

terça-feira, janeiro 29, 2008

1812

A BBC History Magazine chegou à conclusão que 1812 foi o pior ano de toda a história inglesa, pois quase tudo o que podia correr mal, acabou por se suceder, afectando grande parte da população que viveu em agonia nesse período. Entre os acontecimentos negativos que se destacaram nesse ano encontramos estes:
  • Em guerra com a França de Napoleão há 20 anos;
  • Os luddistas (movimento contra a Revolução Industrial) destruiram novas máquinas, pois viam estas como ameaças às condições de vida dos trabalhadores. Perto de 20 foram enforcados;
  • Taxas e impostos altíssimos devido à guerra e a colheitas desastrosas;
  • O Primeiro-Ministro Spencer Perceval foi morto a tiro na Casa dos Comuns (foi o único PM inglês a ser assassinado);
  • Os Estados Unidos declararam guerra à Inglaterra por força das disputas comerciais com França;
  • O Rei George III enlouqueceu e o seu filho George IV passou para regente.
Foi esta a situação que fez com que a BBC afirmasse que 1812 foi o pior ano dos ingleses. Entre os outros concorrentes a pior ano, tivémos: 1349 (a peste negra), 1536 (supressão religiosa por parte de Henry VIII) e 1937 (colapso económico, caminho para a guerra). Como nota final, acrescentar que nem tudo em 1812 foi mau para os ingleses, pois ganharam batalhas aos espanhóis na guerra peninsular e viram nascer o escritos Charles Dickens nesse mesmo ano.

domingo, janeiro 27, 2008

As respostas ao mail

Recebi um mail cujo título era "perguntas idiotas sem resposta" e qual não é o meu espanto quando consigo responder a quase todas elas, seja a resposta tão idiota como a pergunta ou sustentando-me naquilo que é acho o mais lógico. Aqui vai:

- Porque é que os ginecologistas saem do consultório para as mulheres se despirem?
- Não são só os ginecologistas, quase todos os médicos saem. Talvez seja para deixar a pessoa à vontade, talvez porque vão buscar qualquer registo médico que lhes faça falta ou pura e simplesmente vão ao W.C (as salas de consultório não o costumam ter e as consultas podem demorar à volta de uma hora, o suficiente para começar a apertar a bexiga).

- Se uma pessoa comprar um terreno, ela possui o terreno todo até ao centro da terra?
- Não, a pessoa possui o terreno até onde o PDM deixar.

- Porque é que se chama 'Alcoólicos Anónimos' quando a primeira coisa que fazemos é dizer 'O meu nome é Zé e sou alcoólico'?
- Dentro deles não tem mal saber-se o nome. São ou querem ser anónimos em relação ao resto da sociedade.

- Porque é que há luz no frigorífico e não há no congelador?
- Possivelmente porque a lampâda no congelador não aguenta a temperatura deste.

- Porque é que a água mineral que corre pelas montanhas durante séculos tem uma 'data para consumo'?
- Qualquer água dentro de um garrafa, acaba por ficar choca. O facto de estar bem selada só lhe vai dar mais tempo de vida.

- Porque é que as torradeiras têm sempre uma opção para uma temperatura tão alta que queima as torradas todas?
- A minha não tem essa opção. Deve ser porque sou old-fashion.

- Porque é que os pilotos kamikaze usam capacete?
- Muitos desses pilotos eram chefes de família. Por muito sentido de honra que tivessem, acredito que no fundo quisessem sobreviver.

- Quem foi a primeira pessoa que olhou para uma vaca e disse 'Acho que vou espremer estas coisas compridas e beber o que quer que saia de lá'?
- A necessidade aguça o engenho. Se tou com fome, porque não leite de vaca? Se as crias dela bebem dali, eu também posso. Quem foi não interessa, sabe-se é que foi esperto e deixou escola. Acho que a pergunta tinha mais sentido se fosse em relação aos ovos da galinha.

- Porque é que quando o Incrível Hulk se transforma, rebenta toda a roupa menos as cuecas?
Porque se ele rebentasse tudo não podia ser alvo de comercialização infantil. Duvido que na indústria erotico-pornográfica fizesse sucesso.

- Porque é que quando uma pessoa pergunta as horas aponta para o pulso e quando pergunta onde é a casa de banho não aponta para as partes?
- Porque o relógio tava no pulso e a casa de banho não está nas nossas partes!

- Porque é que o Pateta anda em pé e o Pluto anda de quatro? São ambos cães!
- Ia jurar que o pateta era assim mais pró cavalo, como o Horácio ou a Clarabela.

- As pessoas cegas conseguem ver os seus sonhos?
- Pergunta insultuosa. Quem a fez (alguém achou que era relevante,pois aparece neste mail) é completamente idiota.

- Se o óleo de milho é feito de milho, e o óleo vegetal é feito de vegetais, do que é feito o óleo de bebé?
- Porque há gente demasiado literal, capaz inclusive de fazer essas questões.

- Porque é que quando uma pessoa te diz que há um bilião de estrelas no céu tu acreditas e quando te diz que tens as cuecas molhadas tu precisas de apalpar para ter a certeza?
Porque se tal te acontecer és insensível ou incontinente. É apenas normal que verifiques com o tacto.

- Porque é que as agulhas para injecções letais dos condenados à morte são esterilizadas?
- O Estado já tem responsabilidade que chegue no processo. Provavelmente o gajo morria mas o Estado levava indemnização por negligência médica.

- Porque é que ainda estás a ler isto? Não tens mais nada para fazer?
- Por acaso não tenho mesmo. Estou desempregado e com tempo de sobra. Além disso é sábado.
O objectivo

A maioria das opiniões leva-nos a duas posições: a primeira refere-se à reprodução como missão natural e genealógica e a segunda remete-nos para a alteração de algo para melhor, isto é, a criação não-humana. Criação é pois a palavra-chave.
Palavras-chave são contudo, o que cai mais rapidamente em desuso, pois não se aplicam a nada e são o cúmulo da subjectividade.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Desportos Estranhos IV

Lançamento do atum


Desportos Estranhos III

Salto à vara em chamas


Desportos Estranhos II

Ciclo-futebol

Desportos Estranhos I

Corrida de casas-de-banho no gelo


quinta-feira, janeiro 17, 2008

After Tommy Lawrence had let in a fluke goal between his legs:

- "Sorry, boss, I should have kept my legs together," said Lawrence.
- "No, Tommy, your mother should have kept her legs together!," replied Bill Shankly

terça-feira, janeiro 15, 2008

FIFA, UEFA, COI, IAAF... tudo farinha do mesmo saco

Oscar Pistorius, um sul-africano amputado desde os 11 meses de idade, não poderá participar nos Jogos Olímpicos de Pequim. Ontem, a 14 de Janeiro de 2008, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) recusou ao jovem de 21 anos a possibilidade de competir no evento, ajuizando que as próteses que usa ao correr são uma vantagem mecânica evidente. Tal conclusão foi elaborada por um estudo da Universidade de Colónia, que afirma o seguinte:

"As próteses" [em fibra de carbono] são consideradas uma ajuda tecnológica e, desse modo, estão em claro desacordo com a Regra 144.2 da IAAF" (regra que proibe qualquer vantagem dada em provas por determinada tecnologia)

O estudo comprovou ainda que Pistorius beneficia, com suas próteses, de uma vantagem mecânica de mais de 30% sobre alguém que não as utiliza.

Parece-me a mim que a IAAF está para as novas tecnologias como a Igreja Católica está para o preservativo. Ambas sabem das vantagens mas ninguém quer avançar para uma nova mentalidade, mais justa e de acordo com o progresso. Querem prender-se ao passado, porque esse é o que os mantêm no poder: quanto menos alterarem, melhor.
O caso de Pistorius é digno de várias interpretações, mas eu fico com esta: se a IAAF acha que o atleta é beneficiado em relação aos outros, então que mudem algo nas próteses do atleta. Peguem na perna de um atleta normal e metam peso equivalente na prótese de Pistorius. Façam algo. Negarem-no baseados numa lei já antiga (ainda que justa) demonstra pouca preocupação pela questão. Este é um daqueles casos em que se deve discutir mais a lei e não tanto o processo.
Oscar Pistorius conseguiu vencer uma dificuldade que muitos outros apenas lamentariam e agora clama pelos seus direitos, tão simples como "quero correr com as próteses, porque sem elas não consigo".

sábado, janeiro 12, 2008

La Foto de La Madre

"[...] Jorge Semprún me contó en la entrevista que le hice para EL PAIS Semanal que la guerra le dejó sin una foto de la madre. Ningún retrato de ella, ningún rastro gráfico de su rostro, nada, sólo su memoria le devolvía la belleza de su porte, su elegancia, cierta alegría; ella murió muy joven, a principios de los años treinta, de una enfermedad leve que se complicó estúpidamente. Los baúles y los recuerdos se quedaron en España, se extraviaron, no cruzaron la frontera, se evaporaron. Fue una de las consecuencias de la guerra, acaso la más leve, entonces, de otras gravísimas pérdidas. Una vez aparecida la entrevista, un señor me escribió al periódico, para contarme que su propia madre guardaba algunas fotos de la madre de Semprún. Ayer me encontré con Jorge, en el homenaje que los editores madrileños rindieron a Jesús de Polanco. Ya le habían contactado, le iban a enviar la foto de su madre. Era una noticia feliz, y él estaba feliz. Dentro de esa noticia hay multitud de sentimientos, algunos íntimos, otros públicos. Produce un regocijo íntimo, muy puro, recuperar lo que los años ya te han resignado a perder. Perder, qué tremenda palabra. Y encontrar. Qué palabras [...]"

domingo, janeiro 06, 2008

Descubra as diferenças

Photobucket

No espaço de apenas sete anos, o monolugar de fórmula 1 da Ferrari sofreu toda esta mudança estética. Já nem comparo com os carros de há 10 ou 20 anos atrás, senão a diferença seria completamente abismal. A F1 tem essa magia, a de nos provocar curiosidade em saber o que o futuro nos reserva. Olhando cada ano para mais um novo bólide, fica a questão:
- Que raio vão eles mudar mais?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Assassínios? É só um incidente...

"... Houve, há alguns dias, um incidente lamentável de turistas franceses assassinados na Mauritânia, mas o país é seguro. Há incidentes como em todos os países do mundo. Na nossa opinião, não se justificava o cancelamento do rali. Todas as garantias de segurança foram dadas para a realização do rali nas melhores condições..."

Habib Abderrahmane, Conselheiro da embaixada da Mauritânia em Paris,
[sobre o cancelamento do Lisboa-Dakar 2007]

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Sobre o filme Tróia
  1. Adaptar para cinema uma epopeia de Homero é sempre um trabalho inglório, pois é impossível ganhar ao original.
  2. Não há exageros visuais no filme. Uma boa notícia numa era em que os programas de imagem fazem a maior parte do trabalho.
  3. As emoções das personagens estão aquém do esperado. A passagem do estado de cólera funesta para a de compaixão pelo inimigo por parte de Aquiles é pouco ou nada trabalhada.
  4. Devido ao facto do realizador e produtor terem optado por incluir o Cavalo de Tróia no filme, o papel de Ulisses foi de maior relevo, algo que não acontece na Ilíada.
  5. Entre enormes imprecisões em relação ao mito, uma das que mais choca é a morte de Agamemnón na tomada de Tróia. A versão mais aceite é a de que Agamemnón morreu às mãos das sua esposa no banho, como acto de vingança pelas constantes infidelidades.
  6. Outra das grandes imprecisões reside na morte de Menelau por Heitor. Ao contrário do que nos mostra o filme, Menelau sobrevive ao combate com Páris e é um dos sobreviventes da guerra. Andará à deriva pelo mar durante vários anos, tal como Ulisses.
  7. O filme opta por mostrar apenas a componente humana e esse é provavelmente o seu maior êxito. Não existe acção nem influência directa dos deuses no filme, apenas respeito pelos mesmos (a excepção é a deusa Tétis).
  8. O filme custou cerca de 230 milhões de dólares e as receitas de bilheteira pelo mundo rondaram os 500 milhões de dólares.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

2007 de A a Z

A de Al Gore - Prémio Nobel da Paz e um dos maiores oradores sobre a questão ambiental. Poderá ter um papel ainda mais fulcral no futuro.

B de Berardo - Uma das figuras do ano em Portugal. De discurso directo e ideias fixas, causa mal-estar em diversos sectores por dizer verdades que mais ninguém se atreve a dizer.

C de Cristiano Ronaldo - Melhor jogador de Inglaterra para imprensa e profissionais do futebol. Trava uma luta interessante pelo mediatismo com Mourinho.

D de Desemprego - É a minha situação e a de muitos outros portugueses. Um fenómeno derivado da globalização e sem solução total.

E de Euro 2008 - Portugal apurou-se para o quarto europeu consecutivo. Apesar de se investir muito mais no futebol que noutras modalidades, não deixa de ser um enorme feito.

F de Faculdade - Acabei a licenciatura em Estudos Europeus. Hooray!

G de Greves - Desde os argumentistas americanos às dos sindicatos portugueses, passando pelas inúmeras na França e um pouco por todo o mundo, este ano foi assolado por greves, quase sempre atrapalhando mais a vida ao cidadão comum do que ao atingirem algo.

H de Hugo Chavez - O venezuelano esteve em foco na cimeira entre os países hispânicos, no encontro com Fidel Castro, nos destinos da OPEP e na negociação de reféns colombianos.

I de Iraque - 34 mil civis morreram durante este ano. A escalada de violência não tem topo.

J de José Mourinho - A sua saída do Chelsea marcou o fim de um grande amor entre os ingleses e a personalidade do português.

K de Kaká - Melhor jogador do mundo em 2007. Prémio justo.

L de Luciano Pavarotti - Desapareceu uma das melhores e mais mediáticas vozes do século XX.

M de Maddie - O desaparecimento da menina inglesa na praia da Luz foi o acontecimento do ano. Todos têm opinião sobre o caso.

N de Nélson Évora - Campeão Mundial de Triplo Salto em Osaka, é um possível medalhado para os Olímpicos de 2008.

O de Obama - Depois de Martin Luther King é o político de cor negra mais perto de chegar à Casabranca.

P de Paquistão - A morte de Butto apenas confirmou que há povos que preferem a guerra à democracia.

Q de Quercus - Uma das principais protagonistas no caso do milho transgénico.

R de Raikonnen - Num ano em que a luta sempre foi a dois (Hamilton e Alonso), o finlandês fez um final de temporada fantástico e arrebatou o campeonato de pilotos de F1.

S de Scolari - Protagonista por bons (apuramento para o Europeu) e maus motivos (agressão a Dragutinovic, da Sérvia).

T de Terreiro do Paço - Finalmente o Metro, 1o anos depois do começo das obras.

U de União Europeia - Depois de uma grande estagnação, 2007 foi um ano de grandes avanços na estrutura da UE e no espaço Shengen.

V de Vanessa Fernandes: Campeã Mundial de Triatlo e a maior esperança de Portugal numa medalha de ouro para 2008.

X de Xadrez - Kasparov, o génio do xadrez mundial, transfomrou-se num político altamente mediático numa Rússia ainda muito fria.

Y de Yeltsin - Desde confusões e arrufos a grandes jogadas políticas, Boris tinha de tudo um pouco.

Z de Zapatero - Mediou de forma exemplar o atrito entre Hugo Chavez e o Rei Juan Carlos. Sereno e eficaz.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Em Portugal ninguém sabe ouvir o próximo. Todos se preocupam em deixar a sua opinião vincada, mas poucos ou nenhuns se dão ao trabalho de ouvir opiniões contrárias ou sequer argumentar a sua ideia. É de um país de ditadores que estamos a falar. Todos acham que fazem melhor do que aquele que está no posto de comando, ainda que tal posto seja mais uma fonte de problemas que de rendimentos. Todos querem ser capatazes e ninguém quer trabalhar. Não condeno isso, pois após décadas de ditadura onde a maior parte da população era dominada e não dominadora, é apenas normal que os desejos vão no sentido de inverter totalmente essa tendência, isto é, os que anteriormente eram dominados querem agora dominar e os que dominavam nesses tempos, querem continuar a fazê-lo. No país onde só há reis apenas predomina a arrogância e o conflito.

domingo, dezembro 23, 2007

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Feliz

Hoje estou feliz. Podia falar da minha situação de desempregado, da falta de €uros ou de estar muito longe da minha própria independência, mas não, prefiro ver o outro lado das coisas, aquele que me diz que há momento bons na vida e que devem ser vividos plenamente.
Como tal, partilho aqui a felicidade que sinto neste momento!

terça-feira, novembro 27, 2007

Pressão

Abate-se sobre mim, qual imolação. Desprende-se e voa suavemente, levando consigo o que de bom ainda existia neste pobre ser. O que resta agora é mórbido, cheira a desolação. Voraz e invisível, consome as entranhas e transforma-me. Quero acreditar que posso mudar, mas a cada novo ataque, a esperança cai por terra. Um dia será tarde para se levantar e aí jazerá o que de bom e mau cometi.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Referendo: sim ou não?

O Nélson, como muitos outros portugueses, já deu a sua opinião. Pego na pergunta deixa no seu blog, para dar igualmente o meu ponto de vista:

Economicamente, é bom evitar o referendo. Cada eleição custa à nação (por outras palavras, aos contribuintes) uma avultada soma, que se for evitada através da consulta parlamentar acaba por ser bom para o país.
Contudo, numa Europa que se quer mais próxima dos cidadãos, o melhor é mesmo consultar o cidadão europeu para lhe perguntar se quer ou não um Tratado Reformador da UE, isto porque, nos parlamentos nacionais está expressa a vontade popular de um determinado ano e não da actualidade. Ou fazem o referendo, ou convocam eleições parlamentares anuais, pois a perspectiva do cidadão português muda consideravelmente ao longo de dois anos de poder de determinado partido.
Além disso, o partido que os portugueses elegeram há dois anos atrás podia aquele que mais garantias oferecia para o futuro interno do país, mas não para o futuro externo. Posso partilhar da opinião de um partido no que respeita a assuntos internos, mas posso discordar plenamente da sua visão de Europa.
Por estas e por outras, penso que um Referendo sem partidarizações devia ser a opção a tomar. Digo sem partidarizações, pois tal como o referendo da IVG, no caso de haver um referendo para o assunto Europa, podemos acabar a discutir o que o governo fez ou não fez, longe do assunto real, neste caso do quão frutuoso será o Tratado para a Europa. Eleições à escala europeia, sem partidos, mas com rostos, é para mim a solução ideal.
Ainda que possa tudo passar de uma utopia matinal.
Da baboseira

O Rui Santos só diz baboseiras. Tem ar intelectual, mas no fundo, em hora e meia a babosear, acaba por dizer duas ou três coisitas aproveitáveis que qualquer um de nós - informado ou não - também diria.
O português gosta de ouvir alguém a dizer baboseiras. Aliás, gosta de ouvir, ver, ler, comentar e mandar a sua própria baboseira. Quando tanta gente dedica importância às baboseiras, é normal que o país não saia da babosice geral. É igualmente normal que o Rui Santos, que de início só tinha direito a poucos minutos de intervenção, já tenha hora e meia para si e para as suas baboseiras. A verdade é que todos sabem que ele diz baboseiras, mas ainda assim não resistem a ouvir o que o desgraçado tem para dizer.
Enquanto assim for, enquanto lhe derem importância, ele vai continuar por aí. O desprezo é o caminho. Podem igualmente mudar para a RTPN, que costuma ter o Álvaro Braga Jr. a dizer coisas mais saudáveis.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Tratado de Lisboa

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A prova que os portugueses sabem fazer as coisas apenas quando estas não são para eles. O tempo que o painel ministerial esteve longe da acção interna comprovou-se como um período de acalmia, com ligeiros distúrbios, em nada semelhantes aos que acontecem quando o governo esta em plena acção. Não acho que o problema consista numa ausência de soluções ou estratégias, é sim um problema de organização. A União Europeia está bem organizada (não quero dizer com isto que seja eficaz) e através dessa boa estrutura, a presidência portuguesa soube abrir caminho para o Tratado reformador. Em Portugal joga-se xadrez sem tabuleiro. Na UE o tabuleiro tem sido demasiado grande para se definir quais as regras do jogo. Parece que se conseguiu alguma coisa com o Tratado de Lisboa. A ver vamos.

terça-feira, outubro 16, 2007

Verborreia

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E dizem que, no máximo, um adulto só consegue ter atenção máxima durante um período de 1 hora.

quinta-feira, outubro 11, 2007

French monster EATS babies!



Este é o título da notícia que o The Sun pôs na sua secção desportiva. O 'monstro' é Chabal - The Caveman - possante jogador de raguêbi da França e uma das revelações do campeonato do mundo da modalidade, e o bebé representa a juventude da selecção inglesa, com a qual os gauleses vão discutir o acesso à final da competição. É caso para dizer: Jornalismo inglês no seu melhor!

quarta-feira, outubro 03, 2007

Comiserável

Tenho tendência para pensar que as pessoas que sorriem em todas as fotos são na verdade, as mais infelizes do mundo.

terça-feira, outubro 02, 2007

O indivíduo que dá os títulos é o mesmo que escreve a notícia?

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Ou é o mesmo esquizófrenico que escreve tudo?

sexta-feira, setembro 28, 2007

A moda está de volta

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Viver ao pé de uma escola tem muito de negativo. Desde o som dos miúdos a gritar, aos toques de entrada para as aulas até à natural falta de paz. Contudo, também tem coisas positivas a reter, como a segurança acrescida, as "barracas" entre as vizinhas e os miúdos rebeldes e a observação constante das últimas modas. Focando-me nesta última, há algo que tem vindo a perturbar-me seriamente: a música. Claro que eu gosto de música, tal como a grande maioria da população, mas por outro lado, odeio que me dêem música. É isso que tem vindo a acontecer na mais recente moda da malta: dar música a quem não a quer ouvir.

Os aparelhos que a transmitem são pequenos, mas capazes de emanar música a níveis bastante altos, que por rebeldia, estão sempre nessa medida. Ora, ir num transporte público e um engraçadinho levar aquilo ligado e a dar-me música faz-me lembrar exactamente os jovens que levavam os rádios aos ombros para darem música a quem passava. Felizmente a década de 90 foi marcada pelo auriculares que não perturbam o restante mundo (mas que conduzem ao isolamento, como já ouvi alguém defender), mas como a moda é cíclica, lá temos que levar de novo com os rádios aos ombros, agora numa versão muito mais pequena, mas ainda assim chata.

Chamem-me conservador, mas a realidade é que faço o possível para não chatear os outros através dos meus gostos. Respeitar a paz dos outros é o melhor caminho para uma sociedade pacífica e essa parece ser a mensagem que tem custado passar aos jovens.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Interrupção voluntária da entrevista

O que se passou na SIC Notícias é somente um escândalo para aqueles que ainda acreditam na boa fé das empresas. É certo que Pedro Santana Lopes estava avisado que podia ser interrompido a qualquer momento por um furo jornalístico, tal como está toda a gente que se submete a entrevistas em directo, no entanto, há muito que a noção de furo jornalístico se coaduna com a de lucro empresarial, ou televisivamente falando, ao aumento de audiências. Pedro Santana Lopes é, tal como muitos, um defensor da boa fé jornalística, na qual se inclui a noção de que uma entrevista não deve ser cortada abruptamente por causa da chegada ao aeroporto de um treinador desempregado. Infelizmente para ele, o caso tinha contornos bem diferentes se fosse numa estação paga pelos contribuintes. Não sendo esse o caso, o que se pode constatar é que Pedro Santana Lopes teve uma atitude digna como ser humano, assim como a SIC Notícias teve uma atitude digna de quem trabalha para o lucro. Como tal, é normal que daqui a uns tempos ele reapareça nos estúdios de Carnaxide para mais uma entrevista.
Quanto ao que é na verdade um furo jornalístico, isso é outra questão.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Sobre a Saída de Mourinho do Chelsea

Depois dizem que os clubes portugueses são piores que estes. A única diferença é que na Inglaterra há dinheiro para comprar grandes jogadores, de resto a classe dirigente é a mesma podridão.
Despedir um treinador que nunca perdeu em casa, "deu" de novo um campeonato ao clube depois de 50 anos, repetiu o feito no ano seguinte e ganhou inúmeras taças e inúmeros clássicos, tudo porque não conseguiu ganhar 2 jogos numa semana.. é no mínimo escandaloso e revelador de falta de seriedade.
Agora o caminho do Chelsea deve ser sempre a afundar. Só Capello (não estou a ver mais ninguém a ir para lá) será capaz de tomar conta daquele balneário depois da saída de Mourinho. Isto porque José era mais que um treinador, era um amigo e um líder. Qualquer um que vá para lá, vai encontrar o caos: jogadores desmotivados, sem vontade de fazer o que sabem, perdidos no meio de tanta estrela e com os egos a entrar em disputa uns com os outros.
Da minha parte, tou-me nas tintas para o Chelsea. Ainda que continue a ter lá portugueses, eu seguia o Chelsea devido à presença de Mourinho, não devido ao clube, que aliás sempre me pareceu um clubezeco muito arrogante quando nem tem razões para isso.
Por fim, é também nestes momentos que se distinguem os clubes. Tratar um treinador campeão como o Chelsea tratou, nunca se verá num Liverpool ou Manchester United. Afinal, o Chelsea não passa de um clube com uma passagem fugaz pela fama e que não sabe lidar com ela.

Felicidades para Mourinho!
Tudo de mau para o Abramovich e companhia, pois pensam ainda que é o dinheiro que compra títulos!

sexta-feira, setembro 14, 2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

Tal como nos encantou, que os anjos adorem igualmente a sua voz

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Os grandes mitos permanecem sempre na nossa memória. Embora esta seja habitualmente curta, duvido que chegue algum cantor capaz de o fazer esquecer. Luciano Pavarotti era único não só na voz, mas também na generosidade e na paixão. Nunca usou a dificuldade que passou na vida para chegar mais alto, sendo essa a maior lição que o tenor nos deixou.

terça-feira, agosto 28, 2007

Que descanse em paz

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Herói de Sevilha, Antonio Puerta marcou aquele que os adeptos sevilhanos chamam "o golo que mudou as nossas vidas" frente ao Shalke 04 nas meias-finais da Taça UEFA de 2006, garantindo a final da mesma que a equipa do Sevilha FC viria a vencer. Puerta faleceu hoje vítima de problemas cardíacos. Resta a memória de um grande jogador, com um pé esquerdo fantástico e que amou apenas um clube durante a sua vida. Clube que, tal como o mundo do futebol, chora agora a sua morte.

terça-feira, agosto 14, 2007

O futebol na Europa do Norte: último bastião da competitividade saudável?

Hoje é dia de Benfica - Copenhaga. A transmissão é feita pela SIC e o estádio tem uma boa moldura humana. Estão reunidos pois os ingredientes necessários para mais uma noite de verborreia intelectual um pouco por todo o lado. Escrevo isto ao intervalo, quando as equipas estão empatadas a um golo e quando o benfiquismo começa de novo a comiserar-se. Não que isso me importe. Importa-me no entanto que tal comiseração faça esquecer aquilo que de facto se passa na realidade. Ao contrário do que toda a comunicação social diz, o Benfica não é superior ao Copenhaga. Mesmo que ganhe hoje (até pode ser de goleada), isso não faz do Benfica melhor. Se um clube é fundado com o propósito do desporto, então que seja fiel a essa causa, algo que o Benfica e a grande parte dos clubes portugueses deixou de fazer há vários anos. Digo isto baseado em factos ocorridos no primeiro tempo do Benfica - Copenhaga. Os primeiros minutos bastaram para se ter um ideia de como as coisas funcionam: jogadores pouco interessados em jogar entre si, mergulhos ludibriadores da acção do árbitro, comentadores a tirarem mérito ao golo do Copenhaga e à sua táctica estática e uns adeptos rebeldes que assobiam cada vez que um jogador de encarnado cai nem chão, nem que 90% das vezes seja mergulho ou fita. Tudo isto é um insulto ao desporto digno, respeitador e justo e tudo isto afasta muita gente dos estádios. Valha a verdade que o Benfica e os restantes clubes portugueses não são os únicos a usarem tais esquemas. Toda a latinidade usa e abusa de um espírito de guerra que nada abona para o desporto. Como tal, aprendi a respeitar as equipas do Norte da Europa. Estes são fiéis aos princípios de jogo e vê-se que têm prazer em cumprir a sua missão dentro do campo. Acredito que também nessa área do globo o negócio e os malabarismos comecem a chegar, mas ainda assim e pelo que vi hoje, é bom saber que ainda há quem jogue futebol de maneira correcta e procurando ganhar com as suas potencialidades e não com as decisões do árbitro.

domingo, agosto 12, 2007

Convicções

- Soube através de um primo meu que abriu um concurso há uns meses atrás para ocupar o cargo de electricista na Câmara Municipal de Odemira, vaga para a qual nenhuma candidatura respondeu. O problema não passa pela estabilidade no emprego, mas exactamente na mobilidade para o mesmo. Cada vez me convenço mais disso.

- A Câmara Municipal do Barreiro decidiu elaborar um cartaz espectacular para as festas da cidade: Xutos e Pontapés, Da Weasel, Floribela, Carlos do Carmo, entre outros conhecidos do panorama nacional. Aplaudo que tais artistas venham ao Barreiro, mas questiono igualmente como pode a autarquia pagar a estes artistas quando a situação financeira concelhia é dramática. Mesmo com apoios privados para a maior parte dos espectáculos, julgo que a Câmara investiu em algo que não lhe trará retorno, mas apenas prestígio. Convenço-me cada vez mais que o prestígio é que ganha eleições, contrariamente ao rigor político.

- O Sporting ganhou a Supertaça Cândido de Oliveira e aparentemente foi beneficiado pelo árbitro. Se o futebol serve como lição de vida, então que se retenha o seguinte: só contam os objectivos alcançados, a justiça é um mero obstáculo moral na execução de tais objectivos. Nisto não quero acreditar, mas tenho a convicção que as pessoas bem sucedidas têm quase todas problemas com a justiça.

sábado, agosto 11, 2007

A arte de fazer as perguntas certas


Ana Lourenço: O processo apito dourado serve para esconder os maus resultados do Benfica?
Pinto da Costa: Não tenha a minima dúvida!

Dá gosto quando o jornalismo é assim feito: simples, directo e incisivo.

terça-feira, agosto 07, 2007

Tudo aquilo que já sabemos

A recente subida das taxas de juros veio pôr mais uma vez a nu o drama das famílias portuguesas, que lutando diariamente por um melhor nível de vida, têm que passar pelos mais diversos obstáculos que o governo central e as políticas europeias vão impondo. A dificuldade com que as famílias pagam os empréstimos bancários e a inflexibilidade dos bancos face à situação económica dos seus clientes representam de forma clara o fosso entre os ricos e os pobres, ajudando à extinção da classe média, cada vez mais rara em Portugal. Além disso, tal inflexibilidade representa também a força que o sector bancário tem no governo central, visto as políticas deste último irem quase sempre em abono do sector privado. É importante perceber que Portugal caminha cada vez para o subdesenvolvimento e não o contrário. Os governos têm que compreender que a protecção ao sector privado não dá garantias de sustentabilidade política a longo prazo. É certo que evita muitos problemas nas discussões de projectos de lei, pois garante pontes de entendimento entre os diversos grupos activos da vida portuguesa, contudo tratam-se de políticas a curto prazo e com as quais Portugal não sairá da penumbra em que se meteu. É necessário mudar a forma de fazer política, não se refugiando no apoio do sector privado e procurando atender às necessidades dos portugueses que não ganham o suficiente para sobreviverem. Esse sim é o epicentro do problema e não a conjuntura internacional, pois essa nenhum país consegue resolver sozinho, nem mesmo a maior potência mundial, onde grandes obras de engenharia também caem.

sábado, julho 28, 2007

O equívoco das relações entre os clubes e a comunicação social

Tenho reparado que ao longo dos últimos anos, os clubes têm vindo a adoptar uma postura cada vez mais fria e arrogante para com a comunicação social, pois dizem eles, esta espalha pelo território que abrange informação falsa sobre a vida interna dos clubes. Este é um argumento típico de quem entende como funciona o mercado básico, mas que não olha para as leis de sobrevivência do mesmo. Numa primeira análise, os clubes precisam da comunicação social para se promoverem e garantirem um encaixe financeiro avultado devido às transmissões televisivas, enquanto a comunicação social necessita dos clubes para ganhar audiências e assim melhorar os contratos publicitários adjacentes às transmissões dos jogos. Contudo, e numa segunda análise que os gestores dos clubes teimam em não entender, a comunicação social pode viver sem os clubes, ao passo que os clubes não podem viver sem a comunicação social. Por isso causa-me sempre estranheza quando vejo o presidente de um clube criticar a (suposta) falsidade das notícias que a comunicação social propaga. A comunicação social não tem qualquer compromisso com a verdade, pois os rumores e os boatos são de facto, o seu melhor produto (isto seguindo uma lógica de mercado). Porém, os clubes têm um compromisso para com os seus sócios. Se um sócio deseja saber o que se passa dentro do clube, tal deve-lhe ser dito. Se a comunicação social quiser saber a mesma informação, a mesma pode ser negada pelo clube e com razão. O que para mim não tem lógica é que um clube use a comunicação social para chegar aos sócios, facultando toda a informação que lhe convém e escondendo aquilo que bem entende. Trata-se de um desrespeito para com os sócios do clube e de uma manipulação da comunicação social que se for dizimada como tem vindo a acontecer devido às arrogâncias desnecessárias dos presidentes, fará com que os clubes deixem de ter o melhor veículo de informação, obrigando-os a assembleias regulares, bastante dispendiosas ao nível de tempo, num claro retorno ao principio do século passado, quando o desporto ainda não era o fenómeno global que é hoje, num total desajuste à modernidade necessária para sustentar um clube.

quarta-feira, julho 25, 2007

Ainda não foi desta



Orelhas moucas. É isto que penso das equipas e dos ciclistas apanhados nas malhas do doping. Depois do que escrevi no post "grande atitude" sobre a necessidade de toda a estrutura do Tour agir em prol de um desporto equilibrado e justo, seguiu-se a revelação do controlo positivo sobre Vinokourov, mandando toda a minha ideia pelo cano. "Vino", como é apelidado o ciclista cazaque, é um dos ciclistas mais aclamados pelos jovens devido à força que possui a subir as montanhas e a marcar tempos milagrosos no contra-relógio. Pena é que tais tempos sejam afinal uma grande mentira. No último contra-relógio Vinokourov roubara 1 minuto em relação ao 2º classificado. Um grande resultado, que o controlo revelou ser falso, pois Vino havia procedido a uma transfusão sanguínea, denotando-se no seu sangue dois tipos de glóbulos vermelhos, que o ajudaram a melhorar a performance.
Vinokourov foi imediatamente suspenso pelo Tour e a sua equipa, a Astana, resolveu ser solidária e sair também, embora tivessem um ciclista no 3º posto da geral (Klöden). Para mim é evidente que toda essa equipa está dopada, visto que a atitude mais equilibrada passaria por suspender apenas Vinokourov, mas, sob o risco de serem outros corredores da mesma equipa apanhados e pôr em causa (ainda mais) o nome da equipa, a decisão foi global.
No público paira a revolta, pois esta deveria ser a volta da limpeza, aquela que marcaria o regresso à pureza da prova, assolada desde fins da década de 90 com casos de doping. A verdade é que ainda não é desta, para grande pena dos aficionados e simpatizantes do Tour de France.

quinta-feira, julho 19, 2007

Grande atitude

Os canais da televisão pública alemã ARD e ZDF decidiram cortar com a emissão dos directos do Tour de France após o controlo positivo do ciclista Patrick Sinkewitz da T-Mobile. Há quem critique esta atitude por força dos números (as audiências tinham vindo a subir continuamente desde o inicio da prova) e porque ainda falta o resultado da contra-análise, contudo, e da minha parte, aplaudo a medida tomada.

Em média as estações transmitem 2 a 3 horas diárias das etapas, sendo que é necessário um avultado investimento nos direitos de transmissão que, ao longo dos últimos dez anos, tem vindo a aumentar por força da globalização dos eventos desportivos. No plano contrário, as audiências têm caído a pique, fruto das vitórias constantes do mesmo corredor e sobretudo dos escandâlos de doping. Devido a esta desproporcionalidade entre o que é pago e aquilo que é recebido, a tendência é que cada vez mais televisões digam não ao Tour.

É uma vergonha que o Tour tenha chegado a este nível, mas ainda assim, é importante que não o deixem cair em desuso. O que estas TVs fizeram foi salvaguardar o investimento e o próprio espectáculo e aplaudo-as por isso, pois é de dinheiro dos contribuintes que se está a falar. Agora cabe aos ciclistas, aos médicos, aos directores desportivos e à organização do Tour fazer a sua parte, pois apesar de serem o problema, também por eles passa a solução.

quinta-feira, julho 12, 2007

Globalização



13 feridos nas largadas de Pamplona, entre os quais 2 americanos, 1 alemão, 1 polaco e 1 mexicano

quarta-feira, julho 11, 2007

Sinceramente

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Vocês iam estudar para um local onde nem profissão sabem escrever?
11 Julho 2007, 11h35, SIC, Programa da Fátima Lopes:
Nova batida no fundo por parte da TV portuguesa


Um senhor com missão de fazer rir a malta, com aspecto contente e divertido (algo forçado), conta algumas notícias recambolescas que viu, põe no ar vídeos do Youtube e revela pensamentos do dia por parte do cultos espectadores. O pensamento, sugerido por uma rapariga do nosso Portugal chamada Mariana, dizia:

"Não há homens impotentes, o que existe são mulheres incompetentes"

Perante a impassividade do público ali colocado para emocionar-se, Fátima Lopes, num espírito respondão (ela própria dizia que estava respondona naquele dia) contrapõe:

"Não há mulheres frígidas, o que existe são homens incompetentes"

Regabofe por parte do público feminino, o apresentador assistente de Fátima Lopes com cara de enfezadinho e mudança do rumo do programa para o Horóscopo, com a brilhante Maya.

No alto do seu brilhantismo intelectual, Maya decide continuar a culta conversa anterior e responde ao enfezadinho que agora se encontrava a procurar saídas para ficar bem na fotografia:

"A disfunção eréctil é uma doença"

Silêncio generalizado e palmas de seguida. Estragar um momento que tinha ficado por uma tentativa de humor num velório. Brilhante.

Depois, como grande programa que se trata, a parte do insulto, ou seja, Maya no seu melhor (referindo-se ao ajudante de Fátima Lopes, agora com cara de poucos amigos):

"Esse senhor é que seleccionou as frases, pelos vistos não havia nada melhor. Ora o signo de Leão desceu 3 lugares e está em 12º na tabela de hoje"

Moral da história 1: A Maya fica sempre por cima.
Moral da história 2: O tal apresentador deverá assinar pela RTP num curto espaço de tempo.
Moral da história 3: Nunca ver a SIC pela manhã.

domingo, julho 08, 2007

Novas Maravilhas do Mundo e de Portugal

Certo:
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[Angkor e Convento de Cristo]

Errado:
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[Cristo Redentor e Torre de Belém]

De resto concordo com quase toda a votação, embora ache que há monumentos mais interessantes em Roma do que o Coliseu. Reparei nestes concursos que não se dá mais valor ao trabalho artístico e peso cultural, mas sim ao valor simbólico do trabalho. O Cristo Redentor é imagem do Brasil tal como a Torre de Belém é imagem de Lisboa, contudo, e apesar de se tratarem de grandes construções, não são comparáveis à arte de Angkor e ao legado do Convento de Cristo em Tomar.

sábado, julho 07, 2007

7 Julho 2007: antevisão crítica

- Concerto Live Earth

Expliquem-me porque Metallica, Iron Maiden ou Offspring não estão no cartaz. Ah, já sei, o pessoal da pop-rock é que recicla, os outros são todos sujos e maus.

- Prólogo do Tour de France

Interessante como não há ninguém do pelotão completamente limpo de acusações de doping. Ao menos é justo.

- Cerimónia das Novas 7 Maravilhas do Mundo

Para mim, a cerimónia será uma fraude se alguma destas não for considerada Nova Maravilha:

  • Grande Muralha da China
  • Angkor, Cambodja
  • Taj Mahal, Índia
  • Machu Picchu, Perú

quinta-feira, junho 07, 2007

No futuro III

Ainda sobre Saúde Escolar, essa cadeira devia ter uma componente de comportamento social (ou de bons costumes), através de indução de calma e de reflexão devidamente alicerçada, para situações semelhantes a estas:
- "Lamento, mas este medicamento não é comparticipado"
- "Acredito que o dente lhe doa, mas só temos consultas para daqui a 2 semanas"
- "É um tumor de facto, mas ainda não conseguimos avaliá-lo devidamente. Faça novas análises e depois venha cá. Ah, só têm consulta para daqui a 2 meses? Pois, não posso fazer nada quanto a isso"
- "O seu nível de rendimentos não lhe permite avançar para o necessário transplante. Aconselho-o a hipotecar a casa e a vender o carro"
No futuro II

Também existe uma disciplina de opção chamada Saúde Escolar. Ensina actualmente a lavar as mãos antes das refeições e os dentes após estas. A ideia é óptima e devia ser, quanto a mim, uma cadeira obrigatória, mas associada aos tempos modernos:
- ensino do uso exclusivamente individual de seringas
- ensino do modus operandi para injectar os cortizóides e a EPO sem ser apanhado nos controlos anti-doping
- ensino de cuidados básicos a ter na produção de um charro, para não haver dedos queimados e cortados.
- explicação dos benefícios do sexo académico para uma boa performance escolar.
- etc.
No futuro I

Tenho vindo a receber educação superior na matéria do Estado de bem-estar social (Welfare State). O objectivo é claro: conseguir não insultar a senhora da segurança social que me dirá "o Sr. devia ter descontado mais 10 anos para além dos 30 que trabalhou, para receber esses 20% da pensão mínima."
Censura

O bloqueio do www.blogger.com na sala de informática da Faculdade de Letras de Lisboa assume-se como o mais recente sistema de censura. Parabéns aos autores.

quinta-feira, maio 24, 2007

Enormidade
O ministro das Obras Públicas [Mário Lino], Transportes e Comunicações considerou ontem “faraónica” a construção do novo aeroporto de Lisboa na margem Sul do Tejo porque se trata de uma zona deserta.

[in Correio da Manhã]

Se uma área com 1 milhão de habitantes é deserta, Nova Iorque deve ser o equivalente a uma aldeia. Também não concordo com a instalação do aeroporto na Margem Sul, mas há que argumentar de forma devida. Dizer que não há espaço para um aeroporto de 3000 campos de futebol era correcto. Dizer que o aeroporto não teria margem de segurança devido á grande quantidade de habitações na área era correcto. Dizer que é longe de Lisboa era correcto. Dizer que é deserto, é uma enormidade que um ministro não pode cometer, sob pena de cair no rídiculo.

quinta-feira, maio 10, 2007

Em Lisboa

Autenticamente entalado pela vereação, Carmona Rodrigues será mesmo o último a abandonar, assim como o expressou na semana passada em conferência de imprensa, saíndo assim com alguma dignidade perante a opinião pública. Dignidade porque não foi mentiroso nem mudou de opinião conforme a favorabilidade do contexto, ao contrário dos seus entaladores oficiais. Mau grado toda esta situação, penso que os tempos de Carmona na Câmara foram bons, manifestados através de uma profunda actividade do Município a nível cultural, social e no registo das obras públicas e do tráfego automóvel. Muito há ainda a fazer, mas isso é típico de uma urbe globalizada e em constante movimento, pelo que Carmona sai ilibado nesse particular. Porém, a actividade económica da Câmara foi de facto o bico-de-obra, pois esta revelou danos e desequilíbrios conjunturais, que a Comunicação Social bem expôs. Marques Mendes, na sua já famosa originalidade, seguiu os passos desta e expôs o já exposto.
Para Carmona, pode ser que esta mudança o conduza a um lugar melhor, onde possa gerir e planear sem preocupações monetárias de maior.

terça-feira, maio 08, 2007

Na Madeira

Cada vez me convenço mais que de conformista, o português tem pouco. Somos declaradamente um povo de oposição ao poder instituído, ainda que façamos tudo errado para tentar desmantelá-lo. Nas recentes eleições da Madeira aconteceu mais um caso típico de oposição à portuguesa, isto é, criticando aquilo que está construído e quem o construiu. Quem tem reais razões de queixa acabou uma vez mais por ser esquecido no meio dos "mind-games" de Jardim a que a oposição se diverte a rebater, como se o projecto político destes fosse simplesmente o derrube da figura de Alberto João Jardim, acusando-o de estar agarrado ao poder quando no fundo, ele o ganha, eleições após eleições, através da expressão popular.

terça-feira, abril 24, 2007

Boris Ieltsin

Morreu mais uma figura da minha juventude. À hora de jantar, enquanto davam as notícias, surgia sempre a figura de Ieltsin, comentada pelo eterno Carlos Fino. Gostava sobretudo das notícias que surgiram sobre ele já no final da sua carreira política, aquelas que referiam sobretudo as suas bebedeiras e bailaricos entre os russos. Da minha parte, achava tudo aquilo surreal, como se fosse de um outro planeta. E naquela mesma época, nem imaginava sequer que outro esquerdista, neste caso Jerónimo de Sousa, fizesse as mesmas figuras por cá.
Incontestável é que, de facto, Boris Ieltsin é uma figura histórica. Rival de Gorbatchev e difusor de um novo sistema de relações internacionais com os E.U.A. (mais aberto ao contacto, mas igualmente às desconfianças), Ieltsin gostava de criar ruptura, de quebrar em vez de torcer e foi sob esse estatuto que cortou de vez com a U.R.S.S. e abriu a "nova" Rússia à Comunidade Internacional. Infelizmente, e como é apanágio dos líderes na Rússia, abusou de alguns poderes, não tanto em benefício próprio, mas mais em malefício de outros. No entanto, esse é um problema muito russo, herança ideológica das políticas de esquerda.

quinta-feira, abril 05, 2007

O cartaz

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Curiosamente, esta tentativa de humor não me fez rir. Achei de mau gosto até. Acho engraçado que se diga em alto e bom som que vivemos sob o signo da Democracia participativa e depois se sucedam situações de exclusão como esta. O facto do Partido Nacional Renovador ser um partido pequeno (mas em expansão, por muito que custe aceitar) ajuda a explicar o porquê do Estado perder tempo e fundos a gozar com o cartaz do PNR. Aliás, essa perda de tempo e de fundos foi ainda visível no debate parlamentar sobre a mesma situação, quando já todos sabemos que os partidos com assento repudiam o nacionalismo. Percam tempo na campanha, não na Assembleia da República, pois essa é directamente financiada pelo nosso bolso.

Acho incompreensível ainda o compromisso dos Gato Fedorento pela causa, pois parece-me a mim que aquilo não foi opção deles, mas sim da RTP, e, se assim for, é mais um tiro no escuro dado pela estação, depois da eleição de Salazar como melhor português. Se estes paradoxos são para alertar ou para fomentar o debate, isso não sei, apenas sei que em Portugal as opiniões encolerizam-se por tudo e por nada. Vai ser preciso morrer alguém para se descobrir que se foi longe demais. Como sempre.

Voltando ao nacionalismo, chamá-lo de parvoíce é passar ao lado de uma realidade mundial, onde cada vez mais esse valor vai ganhando força, é fazer dos portugueses idiotas que nada vêem nem sentem. Grande parte dos portugueses podem não gostar de Salazar, mas acreditem que também não vêem com bons olhos o fluxo de imigrantes que afecta o país. Perguntem-lhes apenas por chineses, romenos, ucranianos ou africanos e terão a resposta.

domingo, abril 01, 2007

Usufruto

A vida dói-me. Sinto-me fracassado quando observo aquilo que ela me pode oferecer e o que não usufruo. Mais angustiado me sinto quando posso realizar certas coisas que me agradariam mas que não o faço porque uma força estranha me impede. Perco demasiado do meu tempo a descobrir que força maligna é essa e chego sempre à mesma conclusão: qualquer que seja a sua forma, ela torna-me infeliz mas ao mesmo tempo compreensivo da condição humana. Porém, interessa-me assim tanto essa condição enquanto vivo angustiado? Todo este paradoxo desmotiva-me e torna-me frágil, incapaz de responder como nos tempos em que era livre e inocente, capaz de dar o troco sem pensar nas consequência. Lugar comum, é isto a idade adulta? Talvez seja, talvez não, nem sequer penso nisso porque não sei o que define criança de adulto, tamanhas são as convenções sociais que não deixam sonhar e só servem para nos forçar a reconhecer o nosso erro de ter crescido e de agora sermos alvos de responsabilidades que em nada servem para a aprendizagem de nós mesmos, mas apenas dos outros, do seu modo de funcionamento, dos seus defeitos e das suas poucas virtudes pois, também eles, estão convertidos a um sistema morto.

domingo, fevereiro 11, 2007

A vitória da Abstenção

É este o Portugal que temos. Não vou ser negativo nem positivo, mas sim consumar factos. O sim venceu. Em 1998 havia perdido. Houve menos abstenção em 2007, mesmo assim ela foi demasiada, não permitindo o acto vinculativo do instrumento legislativo referendo. Em números, 57% de abstenção. Acho muito, ainda para mais num país em que a ditadura não foi assim há tanto tempo atrás (2 gerações). Acho ainda que muita gente ainda não sabe o real significado do voto que nos é concedido. Neste sentido partilho da opinião do Miguel Sousa Tavares, quando diz que "as pessoas devem votar nem que seja em branco", pois isso evita estas altas taxas de abstenção e ajuda a compreender se a informação da campanha foi elucidativa ou não. Faz-me alguma confusão pensar que num universo de 100 pessoas (mais ou menos os meus amigos do Hi5), mais de metade deles não foram votar.
Outro dado interessante é a distribuição do Sim e do Não por Portugal. Do distrito de Leiria, Coimbra e Castelo Branco para Norte (excepto Porto) o Não ganhou e nesses mesmos distritos e para Sul o Sim venceu. Na Madeira e Açores o Não venceu, o que me dá a ideia de ter sido uma forma de canalizar o descontentamento pelos ajustamentos nas finanças regionais. Espero que esteja errado. O que é de ressalvar é que o antagonismo entre a esquerda e direita e sua distribuição pelo território português acabaram por influenciar uma questão que se queria despolitizada, ou seja, mais uma derrota do Humanismo (não confundir a vitória do Sim com esta conclusão) face ao poder dos homens.