Bela Guttmann (1905 - 1981)
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Doping
A Federação Internacional de Ténis (ITF), suspendeu o argentino Mariano Puerta dos courts durante 8 anos, devido a um controlo anti-doping no qual o tenista acusou etilifrina, uma das substâncias classificadas como estimulante pela Agência Mundial Anti-dopagem (AMA). O tenista de 27 anos, reincidente em casos de dopagem (acusou clenbuterol em 2004), vê assim a carreira praticamente terminada, assim como vê retirado da sua conta os prize moneys e os troféus ganhos nos últimos anos.
Apesar de ter passado ao lado da maior parte da imprensa, esta notícia provocou-me algumas questões: porquê uma pena tão pesada a um tenista que não é propriamente jovem? E porque os casos de dopagem têm invariavelmente rostos argentinos por detrás?
Se a medida visa criar um exemplo para os mais jovens que se sentem tentados a seguir o caminho do doping, duvido que resulte, isto porque o desporto é cada vez mais rentável ao alto nível e quanto mais depressa se atinge esse nível, mais fama e melhor nível de vida se alcança, mesmo que seja às custas de práticas mercenárias como consumo de substâncias ilegais. Na minha opinião, e mesmo sabendo que Puerta é reincidente nestes casos, parece-me que a medida é exagerada. 8 anos é a vida desportiva de muitos atletas e neste caso específico, ajuizar uma medida destas a um atleta de 27 anos é tirar-lhe não só o resto da carreira desportiva, como mandá-lo directamente procurar outra profissão à qual terá dificuldade acrescida devido ao seu passado criminal.
Quanto à segunda questão, o facto é que já são demasiadas vezes que argentinos surgem em casos destes: Juan Ignacio Chela (em 2000), Guillermo Coria (2001), Martín Rodríguez (2003), Mariano Hood e Guillermo Cañas (em 2005), são outros casos de tenistas argentinos apanhados na rede do doping, isto para não referir casos de futebolistas que têm bem mais impacto devido à expressão deste desporto no mundo. São muitas e cada vez mais as referências a actos ilegais associados a argentinos e, por muito respeito que o mundo queira ter por indíviduos dessa nacionalidade, torna-se cada vez mais difícil acreditar na verdade desportiva que contenha argentinos pelo meio.
A Federação Internacional de Ténis (ITF), suspendeu o argentino Mariano Puerta dos courts durante 8 anos, devido a um controlo anti-doping no qual o tenista acusou etilifrina, uma das substâncias classificadas como estimulante pela Agência Mundial Anti-dopagem (AMA). O tenista de 27 anos, reincidente em casos de dopagem (acusou clenbuterol em 2004), vê assim a carreira praticamente terminada, assim como vê retirado da sua conta os prize moneys e os troféus ganhos nos últimos anos.
Apesar de ter passado ao lado da maior parte da imprensa, esta notícia provocou-me algumas questões: porquê uma pena tão pesada a um tenista que não é propriamente jovem? E porque os casos de dopagem têm invariavelmente rostos argentinos por detrás?
Se a medida visa criar um exemplo para os mais jovens que se sentem tentados a seguir o caminho do doping, duvido que resulte, isto porque o desporto é cada vez mais rentável ao alto nível e quanto mais depressa se atinge esse nível, mais fama e melhor nível de vida se alcança, mesmo que seja às custas de práticas mercenárias como consumo de substâncias ilegais. Na minha opinião, e mesmo sabendo que Puerta é reincidente nestes casos, parece-me que a medida é exagerada. 8 anos é a vida desportiva de muitos atletas e neste caso específico, ajuizar uma medida destas a um atleta de 27 anos é tirar-lhe não só o resto da carreira desportiva, como mandá-lo directamente procurar outra profissão à qual terá dificuldade acrescida devido ao seu passado criminal.
Quanto à segunda questão, o facto é que já são demasiadas vezes que argentinos surgem em casos destes: Juan Ignacio Chela (em 2000), Guillermo Coria (2001), Martín Rodríguez (2003), Mariano Hood e Guillermo Cañas (em 2005), são outros casos de tenistas argentinos apanhados na rede do doping, isto para não referir casos de futebolistas que têm bem mais impacto devido à expressão deste desporto no mundo. São muitas e cada vez mais as referências a actos ilegais associados a argentinos e, por muito respeito que o mundo queira ter por indíviduos dessa nacionalidade, torna-se cada vez mais difícil acreditar na verdade desportiva que contenha argentinos pelo meio.
terça-feira, dezembro 20, 2005
Bacalhau
Não entendo a tradição portuguesa do bacalhau. Não sei donde vem e só esse facto já é meio caminho andado para a incompreensão bacalhoense natalícia. Não se pode comer carne? Então porque se come peixe ao invés da carne? Soja não seria mais orgânico e de acordo com a natureza? Querem tanto respeitar as tradições e nem sabem donde elas vêm, para que servem e qual o seu propósito. Quanto a mim, acho que vou comer cenouras e ervilhas na consoada num gesto de puro paganismo e arrogância ateia.
Não entendo a tradição portuguesa do bacalhau. Não sei donde vem e só esse facto já é meio caminho andado para a incompreensão bacalhoense natalícia. Não se pode comer carne? Então porque se come peixe ao invés da carne? Soja não seria mais orgânico e de acordo com a natureza? Querem tanto respeitar as tradições e nem sabem donde elas vêm, para que servem e qual o seu propósito. Quanto a mim, acho que vou comer cenouras e ervilhas na consoada num gesto de puro paganismo e arrogância ateia.
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Do comunismo
O comunismo está em extinção e já é preciso que os indivíduos de direita escrevam sobre ele. Por outro lado, esses indivíduos podem estar disfarçados, isto é, quanto mais afastados estão, mais vivem o poder. Contrasenso? Não, pois assim Franco, o galego, nunca seria o cruel ditador que foi. O poder vem da província, por isso olhem sempre de lado para o velho que ganha as partidas de dominó e da sueca.
Do indivíduo
Já repararam que a palavra indivíduo sugere um ser em dívida para com algo. Será o indivíduo um cidadão em dívida para com a democracia? E se não houver democracia, não há indivíduos? Assunto a rever.
Do bacalhau
Não gosto dele cozido.
O comunismo está em extinção e já é preciso que os indivíduos de direita escrevam sobre ele. Por outro lado, esses indivíduos podem estar disfarçados, isto é, quanto mais afastados estão, mais vivem o poder. Contrasenso? Não, pois assim Franco, o galego, nunca seria o cruel ditador que foi. O poder vem da província, por isso olhem sempre de lado para o velho que ganha as partidas de dominó e da sueca.
Do indivíduo
Já repararam que a palavra indivíduo sugere um ser em dívida para com algo. Será o indivíduo um cidadão em dívida para com a democracia? E se não houver democracia, não há indivíduos? Assunto a rever.
Do bacalhau
Não gosto dele cozido.
sábado, dezembro 10, 2005
"Os estádios serão os centros das cidades no futuro"
Esta é uma declaração do canal Discovery, a qual eu espero que seja apenas uma frase atirada ao ar e sem sentido. Infelizmente, e olhando ao nosso Portugal, os estádios foram o principal investimento em 2003 e 2004. Os resultados de tal investimento, dizem muitos, são positivos. Opinião com a qual eu não concordo, senão vejamos: para além do Euro2004 e dos 3 grandes, não vejo um usufruto benéfico de tais estádios, pois a mim até me parece que estes, por serem maiores e melhores que os anteriores, só causam maior crise aos clubes, confrontados com as despesas de um estádio de grande nível. Casos flagrantes são os estádios de Leiria, Coimbra, Faro/Loulé e Aveiro. Mas voltando à questão, serão os estádios os grandes centros citadinos do futuro?
Eu quero acreditar que não, pois tal seria a mediatização máxima do desporto como "a" representação das culturas, fossem elas bairristas ou nacionais. Isto não anda muito longe do que acontece em Portugal, onde o futebol é quem dita algumas das leis morais, porém as pessoas que vão, por exemplo, a Lisboa pela 1ª vez, não querem só ver o Estádio da Luz. Claro está, é um dos locais de visita, no entanto os turistas também gostam de conhecer a Baixa, Belém, o Parque das Nações, entre outros. Mas se por acaso chegar o dia em que só se vem a Lisboa para ver o Estádio da Luz ou o de Alvalade, aí acho que estaremos nesse tal futuro de que fala o canal Discovery. Acho esse mesmo futuro de difícil concretização em grandes cidades cosmopolitas como Londres, Paris ou Nova Iorque, cidades das quais o que nos vem primeiro à mente é o Big Ben, a torre Eiffel e a estátua da Liberdade, e não Wembley, o Parc des Princes ou Madison Square Garden, respectivamente. Um dia que os estádios sejam o centro da urbe será um mau dia para a história das civilizações, mas talvez não seja um mau dia para a identidade desse país.
Esta é uma declaração do canal Discovery, a qual eu espero que seja apenas uma frase atirada ao ar e sem sentido. Infelizmente, e olhando ao nosso Portugal, os estádios foram o principal investimento em 2003 e 2004. Os resultados de tal investimento, dizem muitos, são positivos. Opinião com a qual eu não concordo, senão vejamos: para além do Euro2004 e dos 3 grandes, não vejo um usufruto benéfico de tais estádios, pois a mim até me parece que estes, por serem maiores e melhores que os anteriores, só causam maior crise aos clubes, confrontados com as despesas de um estádio de grande nível. Casos flagrantes são os estádios de Leiria, Coimbra, Faro/Loulé e Aveiro. Mas voltando à questão, serão os estádios os grandes centros citadinos do futuro?
Eu quero acreditar que não, pois tal seria a mediatização máxima do desporto como "a" representação das culturas, fossem elas bairristas ou nacionais. Isto não anda muito longe do que acontece em Portugal, onde o futebol é quem dita algumas das leis morais, porém as pessoas que vão, por exemplo, a Lisboa pela 1ª vez, não querem só ver o Estádio da Luz. Claro está, é um dos locais de visita, no entanto os turistas também gostam de conhecer a Baixa, Belém, o Parque das Nações, entre outros. Mas se por acaso chegar o dia em que só se vem a Lisboa para ver o Estádio da Luz ou o de Alvalade, aí acho que estaremos nesse tal futuro de que fala o canal Discovery. Acho esse mesmo futuro de difícil concretização em grandes cidades cosmopolitas como Londres, Paris ou Nova Iorque, cidades das quais o que nos vem primeiro à mente é o Big Ben, a torre Eiffel e a estátua da Liberdade, e não Wembley, o Parc des Princes ou Madison Square Garden, respectivamente. Um dia que os estádios sejam o centro da urbe será um mau dia para a história das civilizações, mas talvez não seja um mau dia para a identidade desse país.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Gozar com as bandas
Já sabemos que a coisa não anda muito animadora para as bandas portuguesas que tentam criar alguma música decente, mas não fazia ideia que isto também já acontecia com bandas de nome feito, senão veja-se o que aconteceu com Therion:
"We are at this moment travelling to Omaha for the show (in a fucking uncomfortable van with a trailer). We drove til 5 in the morning and continued to drive today after 4 hour sleep and would have hade it for the Omaha show. We would have been late compared to normal load in time, but we would have had the time to set up our stuff, do a quick soundcheck and do the show (without any support acts). However, we just received a call saying the local promoter already cancelled the show. Nothing we can do about that, but again being very sorry. Especially as we could have done this show, it was not necessary to cancel it.
We will get the new tour bus this evening though, so be sure of that none of the remaining shows will be cancelled."
Para quem não conheça, os Therion são uma banda com mais de 10 anos, muito conhecida no meio do metal internacional, mas pouco ou nada no 'mainstream'. Se mesmo para os Therion a vida é difícil, imaginem então como ela é para os milhares de bandas portuguesas que procuram ainda o seu cantinho no mundo da música.
Já sabemos que a coisa não anda muito animadora para as bandas portuguesas que tentam criar alguma música decente, mas não fazia ideia que isto também já acontecia com bandas de nome feito, senão veja-se o que aconteceu com Therion:
"We are at this moment travelling to Omaha for the show (in a fucking uncomfortable van with a trailer). We drove til 5 in the morning and continued to drive today after 4 hour sleep and would have hade it for the Omaha show. We would have been late compared to normal load in time, but we would have had the time to set up our stuff, do a quick soundcheck and do the show (without any support acts). However, we just received a call saying the local promoter already cancelled the show. Nothing we can do about that, but again being very sorry. Especially as we could have done this show, it was not necessary to cancel it.
We will get the new tour bus this evening though, so be sure of that none of the remaining shows will be cancelled."
Para quem não conheça, os Therion são uma banda com mais de 10 anos, muito conhecida no meio do metal internacional, mas pouco ou nada no 'mainstream'. Se mesmo para os Therion a vida é difícil, imaginem então como ela é para os milhares de bandas portuguesas que procuram ainda o seu cantinho no mundo da música.
terça-feira, dezembro 06, 2005
Sobre o nada
O nada é meu amigo. Acompanha-me sempre que o meu pensamento procura algo não discernível, como se fosse um sonho encoberto por uma névoa da qual nem consigo dizer a cor. O nada torna-se tudo quando quero falar sobre ele, isto é, o debate centra-se na sua não-figura e na sua capacidade de extremar posições a limites que nos suplantam o imaginário.
Visto de uma maneira positiva, o nada é a felicidade pura. Quando a vida é feita de pequenos nadas (não confundir com momentos), ela torna-se simples, humilde...tosca. Portanto, quanto mais nadas existirem, maior será a felicidade. Muitos autores gostam de dizer que a ignorância é um estado saudável, pois permite-nos viver longe dos males do mundo, resumindo-nos a uma existência que em tudo se assemelha com o nada. Quem procura o nada acaba por (e sem o notar) tornar-se no nada. Nesse caso, apenas a busca pelo seu "eu" irá aproximá-lo da sua busca, todavia, o sujeito nunca procurará dentro de si pelo nada, visto ser ignorante.
Apesar deste paradoxo, o nada não é impossível de ser alcançado. Há nadas na nossa memória, tal como há algos. É tudo uma questão de moldar-nos o nosso cérebro para registar os nadas e não os algos.
Simples, não é? Não.
O nada é meu amigo. Acompanha-me sempre que o meu pensamento procura algo não discernível, como se fosse um sonho encoberto por uma névoa da qual nem consigo dizer a cor. O nada torna-se tudo quando quero falar sobre ele, isto é, o debate centra-se na sua não-figura e na sua capacidade de extremar posições a limites que nos suplantam o imaginário.
Visto de uma maneira positiva, o nada é a felicidade pura. Quando a vida é feita de pequenos nadas (não confundir com momentos), ela torna-se simples, humilde...tosca. Portanto, quanto mais nadas existirem, maior será a felicidade. Muitos autores gostam de dizer que a ignorância é um estado saudável, pois permite-nos viver longe dos males do mundo, resumindo-nos a uma existência que em tudo se assemelha com o nada. Quem procura o nada acaba por (e sem o notar) tornar-se no nada. Nesse caso, apenas a busca pelo seu "eu" irá aproximá-lo da sua busca, todavia, o sujeito nunca procurará dentro de si pelo nada, visto ser ignorante.
Apesar deste paradoxo, o nada não é impossível de ser alcançado. Há nadas na nossa memória, tal como há algos. É tudo uma questão de moldar-nos o nosso cérebro para registar os nadas e não os algos.
Simples, não é? Não.
sexta-feira, dezembro 02, 2005
quarta-feira, novembro 23, 2005
Mar de outrora, mar de amanhã
Hic uasto rex Aeolus antro
luctantis uentos tempestatesque sonoras
imperio premit ac uinclis et carcere frenat
luctantis uentos tempestatesque sonoras
imperio premit ac uinclis et carcere frenat
[ Eolo, rei, aqui numa espaçosa
Gruta, com o seu império e mando enfreia
Dos ventos a cruel ferocidade,
E em prisões tem a insana tempestade ]
Gruta, com o seu império e mando enfreia
Dos ventos a cruel ferocidade,
E em prisões tem a insana tempestade ]
A Eneida de Virgilio, apesar de nunca o ter lido na íntegra, é uma obra saudável e rica em conteúdo mitológico, assim como palavras exóticas e poderosas. Nela encontramos treixos absolutamente maravilhosos que nos proporcionam uma pequena viagem ao mundo em que o mare nostrum era a força reinante. Hoje o mar não é a força dominante mas a força dominada. O aquecimento global tornou o mar no cemitério da humanidade. Engane-se quem pense que o mar é apenas o elo de ligação entre aquecimento global e morte da humanidade. O mar é mais que isso, é um ser com vida própria que chora por cada um de nós. O mundo é um ser perfeito, ninguém tenha dúvidas disso, mas como todos os outros seres, também morrerá. E com ele irá o mar, inspirador de paixões e de saudade. Que pena que em vez o perpetuarmos até onde pudermos, o assassinemos da pior maneira: lenta e dolorosamente.
segunda-feira, novembro 21, 2005
quinta-feira, novembro 17, 2005
O mar
Por vezes o mar é cruel e leva-nos aquilo que nos é querido. Outra vezes o mar é gentil e traz-nos recordações que queríamos de volta.
O mar é tudo aquilo que a vida devia ser e ao mesmo tempo, tem em si tudo o que podemos encontrar no pior dos pesadelos. O mar é isto. Por isso quando viajo para longe dele, sinto-me estrangeiro. O frio, a calma e a raiva...tudo nele é majestoso e tudo nele deixa saudade. Só através do mar conseguimos explicar esse sentimento chamado saudade. Tirar o mar a um português é tirar-lhe a saudade, é matá-lo por dentro.
Por vezes o mar é cruel e leva-nos aquilo que nos é querido. Outra vezes o mar é gentil e traz-nos recordações que queríamos de volta.
O mar é tudo aquilo que a vida devia ser e ao mesmo tempo, tem em si tudo o que podemos encontrar no pior dos pesadelos. O mar é isto. Por isso quando viajo para longe dele, sinto-me estrangeiro. O frio, a calma e a raiva...tudo nele é majestoso e tudo nele deixa saudade. Só através do mar conseguimos explicar esse sentimento chamado saudade. Tirar o mar a um português é tirar-lhe a saudade, é matá-lo por dentro.
segunda-feira, novembro 14, 2005
Ex nihilo
Hoje descobri o real significado da palavra ex nihilo. Foi por acaso, num livro que nada tinha que ver com o assunto. Numa daquelas frases normais de quem está a tentar explicar alguma coisa, o autor usa de uma expressão em latim. Cá está algo que sempre me confundiu: apesar de criticados no longínquo século XV por Erasmo de Roterdão, os intelectuais dos dias de hoje continuam a abusar das expressões em latim, como que para mostrar que também têm um dicionário de latim em casa. E explicar o real sentido das coisas continua também a ser mentira. Começo cada vez mais a intrigar-me se tal uso de expressões consiste apenas numa constante falta de ideias. Assim, os tais intelectuais seriam apenas idiotas (sem ideias).
Ao também usar expressões latinas, entro para o lote destes (pseudo) intelectuais, no entanto e tal como quero ser um rico inteligente, também quero ser um intelectual idiota.
Hoje descobri o real significado da palavra ex nihilo. Foi por acaso, num livro que nada tinha que ver com o assunto. Numa daquelas frases normais de quem está a tentar explicar alguma coisa, o autor usa de uma expressão em latim. Cá está algo que sempre me confundiu: apesar de criticados no longínquo século XV por Erasmo de Roterdão, os intelectuais dos dias de hoje continuam a abusar das expressões em latim, como que para mostrar que também têm um dicionário de latim em casa. E explicar o real sentido das coisas continua também a ser mentira. Começo cada vez mais a intrigar-me se tal uso de expressões consiste apenas numa constante falta de ideias. Assim, os tais intelectuais seriam apenas idiotas (sem ideias).
Ao também usar expressões latinas, entro para o lote destes (pseudo) intelectuais, no entanto e tal como quero ser um rico inteligente, também quero ser um intelectual idiota.
terça-feira, novembro 08, 2005
Uma falha.
Uma simples falha e a confiança dos outros em mim desaparece. Não entendo porque funciona assim. Eu dou oportunidades aos outros, não uma última hipótese mas sim uma hipótese que se não for cumprida, será renovada. Não consigo dizer que não e não consigo deixar de ajudar os outros, mesmo que estes sejam meros interesseiros. Não me gosto de humilhar, por muito que a leitura destas palavras leve a crer nisso, acho apenas que o meu orgulho se encontra num patamar diferente do resto dos outros. Não me revejo nesta sociedade individualista e narcisista. Para mim [e por estúpido que tal pareça ao mundo], o bem dos outros é o meu bem. Acho que vivi a idade das invejas, dos orgulhos e das ganâncias na infância e por isso, tudo o que olho à minha volta parece um rídiculo perpetuamento da adolescência.
PS: Ainda bem que há excepções.
Uma simples falha e a confiança dos outros em mim desaparece. Não entendo porque funciona assim. Eu dou oportunidades aos outros, não uma última hipótese mas sim uma hipótese que se não for cumprida, será renovada. Não consigo dizer que não e não consigo deixar de ajudar os outros, mesmo que estes sejam meros interesseiros. Não me gosto de humilhar, por muito que a leitura destas palavras leve a crer nisso, acho apenas que o meu orgulho se encontra num patamar diferente do resto dos outros. Não me revejo nesta sociedade individualista e narcisista. Para mim [e por estúpido que tal pareça ao mundo], o bem dos outros é o meu bem. Acho que vivi a idade das invejas, dos orgulhos e das ganâncias na infância e por isso, tudo o que olho à minha volta parece um rídiculo perpetuamento da adolescência.
PS: Ainda bem que há excepções.
domingo, novembro 06, 2005
O corpo.
O que é afinal esta massa movediça que nos acompanha? Porque choramos mais por qualquer fissura nele do que choramos por outras coisas bem mais valorosas? O corpo traz consigo um certificado de orgulho. Este altera-se conforme a simetria mais perfeita ou conforme a raridade: quanto maiores forem estes dois, mais orgulho existe, mais o corpo é preservado, mais o absurdo cresce. Basta sair à rua pra se perceber isto. No entanto fica uma sugestão: experimentem olhar aos pormenores e compará-los com animais. Por exemplo, se tiver uma crista é galo, se tiver um capacete é um porco, se tiver cores bizarras é um pavão e por aí fora. Depois imaginem-se como um explorador perdido que encontra todas essas espécies raras a circular à sua volta e, no entanto, completamente alheadas dos vossos movimentos. Este imaginário pode trazer momentos hilariantes...pelo menos comigo traz.
O que é afinal esta massa movediça que nos acompanha? Porque choramos mais por qualquer fissura nele do que choramos por outras coisas bem mais valorosas? O corpo traz consigo um certificado de orgulho. Este altera-se conforme a simetria mais perfeita ou conforme a raridade: quanto maiores forem estes dois, mais orgulho existe, mais o corpo é preservado, mais o absurdo cresce. Basta sair à rua pra se perceber isto. No entanto fica uma sugestão: experimentem olhar aos pormenores e compará-los com animais. Por exemplo, se tiver uma crista é galo, se tiver um capacete é um porco, se tiver cores bizarras é um pavão e por aí fora. Depois imaginem-se como um explorador perdido que encontra todas essas espécies raras a circular à sua volta e, no entanto, completamente alheadas dos vossos movimentos. Este imaginário pode trazer momentos hilariantes...pelo menos comigo traz.
quarta-feira, novembro 02, 2005
Um problema
Nem todos transportam cultura. Um B.I. não significa que o seu portador seja fechado nas fronteiras que delimitam a nação e muito menos significa que este esteja limitado culturalmente ao espaço a que está confinado. Ao invés, o sujeito nacional pode estar idóneo a novas tradições, novos estilos, novas maneiras...enfim, ao que entendemos como o conjunto de factores que formam uma cultura, isto é, o sujeito poderá nunca se identificar com a cultura em que nasceu e viveu. Dizer que a cultura se ganha com a educação escolar e familiar não é totalmente correcto, pois no sujeito poderá existir uma propensão à diferença, procurando assim novas tendências e novos fenómenos identificadores do seu "eu cultural".
Concluíndo, o multiculturalismo enquanto relação de identidades através do conflito e interactividade ou como relação de culturas não totalmente definidas, pode partir da procura pelo "eu cultural", ou seja, começa na mobilidade interior do sujeito e não da mobilidade exterior. A viagem é dentro de nós, só depois ela se aplica ao mundo.
Nem todos transportam cultura. Um B.I. não significa que o seu portador seja fechado nas fronteiras que delimitam a nação e muito menos significa que este esteja limitado culturalmente ao espaço a que está confinado. Ao invés, o sujeito nacional pode estar idóneo a novas tradições, novos estilos, novas maneiras...enfim, ao que entendemos como o conjunto de factores que formam uma cultura, isto é, o sujeito poderá nunca se identificar com a cultura em que nasceu e viveu. Dizer que a cultura se ganha com a educação escolar e familiar não é totalmente correcto, pois no sujeito poderá existir uma propensão à diferença, procurando assim novas tendências e novos fenómenos identificadores do seu "eu cultural".
Concluíndo, o multiculturalismo enquanto relação de identidades através do conflito e interactividade ou como relação de culturas não totalmente definidas, pode partir da procura pelo "eu cultural", ou seja, começa na mobilidade interior do sujeito e não da mobilidade exterior. A viagem é dentro de nós, só depois ela se aplica ao mundo.
terça-feira, outubro 18, 2005
Divago.
A noite aproxima-se de mim. O mundo meu que aos outros pertence, devolvo. Sem gratidão, ela foge. Consigo leva as ilusões que o dia semeou, que os ventos frios sonharam. Nada mais há a esperar, o dia seguinte é um dilúvio de pensamentos incosequentes, a vida cegou-me e aos demais que esta terra povoam (mas não semeiam), é lhes pedida a colheita. O usufruto aos outros pertence enquanto à oração me condeno. Oro a deuses que não existem, a ilusões que alimento, a ícones que me lembro. Mas nenhum me dá um sinal...como podem os outros acreditar? A colheita da desilusão é capaz de retirar o fardo da ignorância? Quero crer que sim para aspirar a um dia me tornar como eles: fúteis e desenquadrados num sistema que vagueia regras. Quero reclamar a minha razão, mesmo sabendo que nunca serei dono da verdade. Se tenho o trabalho de entender porque não hei de querer orgulho aos meus ombros? O trabalho traz orgulho, o desencanto as divagações. E a divagar me encontro, em marés altas que o mundo não sente mas que me abalroam. O que seria do mundo sem os outros e o que seria do mundo sem mim?
A noite aproxima-se de mim. O mundo meu que aos outros pertence, devolvo. Sem gratidão, ela foge. Consigo leva as ilusões que o dia semeou, que os ventos frios sonharam. Nada mais há a esperar, o dia seguinte é um dilúvio de pensamentos incosequentes, a vida cegou-me e aos demais que esta terra povoam (mas não semeiam), é lhes pedida a colheita. O usufruto aos outros pertence enquanto à oração me condeno. Oro a deuses que não existem, a ilusões que alimento, a ícones que me lembro. Mas nenhum me dá um sinal...como podem os outros acreditar? A colheita da desilusão é capaz de retirar o fardo da ignorância? Quero crer que sim para aspirar a um dia me tornar como eles: fúteis e desenquadrados num sistema que vagueia regras. Quero reclamar a minha razão, mesmo sabendo que nunca serei dono da verdade. Se tenho o trabalho de entender porque não hei de querer orgulho aos meus ombros? O trabalho traz orgulho, o desencanto as divagações. E a divagar me encontro, em marés altas que o mundo não sente mas que me abalroam. O que seria do mundo sem os outros e o que seria do mundo sem mim?
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