terça-feira, outubro 18, 2005

Divago.

A noite aproxima-se de mim. O mundo meu que aos outros pertence, devolvo. Sem gratidão, ela foge. Consigo leva as ilusões que o dia semeou, que os ventos frios sonharam. Nada mais há a esperar, o dia seguinte é um dilúvio de pensamentos incosequentes, a vida cegou-me e aos demais que esta terra povoam (mas não semeiam), é lhes pedida a colheita. O usufruto aos outros pertence enquanto à oração me condeno. Oro a deuses que não existem, a ilusões que alimento, a ícones que me lembro. Mas nenhum me dá um sinal...como podem os outros acreditar? A colheita da desilusão é capaz de retirar o fardo da ignorância? Quero crer que sim para aspirar a um dia me tornar como eles: fúteis e desenquadrados num sistema que vagueia regras. Quero reclamar a minha razão, mesmo sabendo que nunca serei dono da verdade. Se tenho o trabalho de entender porque não hei de querer orgulho aos meus ombros? O trabalho traz orgulho, o desencanto as divagações. E a divagar me encontro, em marés altas que o mundo não sente mas que me abalroam. O que seria do mundo sem os outros e o que seria do mundo sem mim?

domingo, outubro 09, 2005

Ainda sobre o agnosticismo

Apesar do teste ter-me dado como um ser agnóstico, não caibo integralmente no termo. Tenho as minhas dúvidas quanto à existência de Deus, é certo, mas das dúvidas a ter a certeza absoluta que não existe, vai um grande passo. A minha formação cristã leva-me a respeitar os demais credos e isso para muitos corresponde a um pecado católico (não idolatres outros deuses), no entanto o meu credo maior vai para aquilo que observo, aquilo que faz mover o mundo. Até em prova do contrário, para mim a Natureza é a responsável pela existência, pelo bem e pelo mal. O Homem é um ser extraído e nascido dela. De um acaso talvez, de uma mão divina não. Isto porque não tenho provas para acreditar nisso.

Acredito também no poder da religião. Ela foi responsável por muitas guerras, mas também pela paz e pela construção de nações. Certamente que o seu valor será mais negativo que positivo para a história universal, mas não nos cabe a nós ajuizar isso, cabe-nos sim a tarefa de tornar este mundo melhor ajudando o próximo. Este é um dos ensinamentos da religião cristã e devido a isto, ela deve ser respeitada e amada. A mim só me cabe a tarefa de respeitá-la porque nunca a amei verdadeiramente, sempre tive muitas dúvidas. Alguém há de a amar, como outro alguém há de a odiar, a diferença está quando o ódio é tanto que nos cega a visão. O amor também nos pode cegar, mas não mata ninguém.
Which religion is the right one for you?

You scored as agnosticism. You are an agnostic. Though it is generally taken that agnostics neither believe nor disbelieve in God, it is possible to be a theist or atheist in addition to an agnostic. Agnostics don't believe it is possible to prove the existence of God (nor lack thereof).

Agnosticism is a philosophy that God's existence cannot be proven. Some say it is possible to be agnostic and follow a religion; however, one cannot be a devout believer if he or she does not truly believe

Agnosticism


79%

Buddhism


63%

Paganism


63%

Judaism


58%

Islam


58%

Satanism


58%

atheism


54%

Christianity


38%

Hinduism


25%

Which religion is the right one for you? (new version)
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quarta-feira, setembro 21, 2005

Anda por aí mais um blog sobre futebol...

Chuto nos queixos


sexta-feira, setembro 16, 2005


Ainda dizem que o futebol é um desporto sério...

quinta-feira, setembro 08, 2005

Implosões

Aqui vão algumas coisas que eu gostaria de ver implodidas:

- A classe política portuguesa. O Alberto João Jardim podia explodir se assim o desejasse
- A comunicação social portuguesa no geral e a TVI em particular
- Os Morangos com açucar, o às 2 por 3 e os D'zrt (é assim que se escreve?)
- O Pavilhão novo da Faculdade de Letras de Lisboa
- O Ultima Online

domingo, agosto 28, 2005

Pátria, Comércio e Madeira

O que é a pátria? Que conceito é esse que nos movimenta em direcção à guerra? A pátria torna-nos primitivos, faz-nos lutar contra um inimigo por uma causa, faz-nos matar por um objectivo. A pátria é aquilo que mais animalesco há em nós, pois não é possível pátria sem que haja inimigo. Quando todos os valores da civilização nos apontam para os códigos de ética, para fazer o bem e condenar o mal, surge então a pátria como elo de ligação entre as pessoas de uma determinada região, raça ou classe contra algo que lhes parece errado e que deve ser alterado. O grande mérito da democracia é permitir que se altere algo sem derramamento de sangue, mas por outro lado é também a democracia o habitat perfeito para a pátria. A delimitação de fronteiras e a hierarquia dos homens regidos sobre um código de leis fomenta a valorização de uma força que muitos chamam de pátria, outros de nação e alguns mais radicais de portugalidade. Para mim é positivo clamarmos que a terra que habitamos é a ideal, pois só assim lhe damos o devido valor, mas por outro lado, torna-se terrivelmente negativo tomarmos a terra que não é a nossa como inimiga. A pátria faz-nos isso e é devido à sua existência e força que vários políticos a usam a seu favor.

Veja-se o caso de Alberto João Jardim na Madeira. Para Jardim aquela é a sua terra e tudo o que está para além dela é território inimigo. É certo que trata Portugal continental de maneira diferente e vê este território como uma região amiga pois para além de lhe doar fundos para o crescimento da Madeira também fala a mesma língua, mas fica-se por aqui. Tudo o que seja além-fronteiras portuguesas é pátria inimiga e por isso não merece pisar a "nossa" terra. Primeiro foram os chineses e depois os espanhóis, para Jardim são todos inimigos da pátria portuguesa e num plano mais avançado, inimigos da pátria madeirense. Ao contrário de Jardim, penso que o investimento espanhol não é mau, assim como o chinês também não o é. A realidade é que economia e politica só devem ser juntas para actos governativos e nunca para actos de patriotismo. O investimento espanhol e o chinês é útil ao nosso país porque, contrariamente ao que diz Alberto João Jardim, obriga o nosso comércio a adaptar-se ao comércio mundial onde a velocidade de adaptação é a chave para o sucesso. O fénomeno das falências nas pequenas e médias empresas não é só nosso, por isso a solução consiste em deixarmos de vez de nos fiar em valores patriotas que por muito apelativos que sejam, não alimentam as famílias portuguesas.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Negativo, eu?

Não desespero, mas apetece-me. Tudo me parece mal, tudo me parece errado e no entanto, não altero nada. Nem sequer penso no que podia alterar. Fútil. Inútil. As palavras rimam e não suavizam o amargo que atravesso, o deserto que me absorve e a tempestade que se afasta. Nada me salva e tudo me condena. Mas tudo isto não atravessa a pele. Sou uma muralha alemã que não teme nada e todos os ataques sofre. Mas nunca cai. Porque aqui os sentimentos passam, ajudam a crescer, mas nunca se fixam. Como a fruta que da árvore brota e para o estomâgo vai.

quinta-feira, julho 28, 2005

O meu tempo

Luto contra o tempo, mas ele não luta contra mim. Não quer ser meu adversário, mas sim um amigo, uma identidade que me quer ajudar segundo as suas regras e a sua conduta. Só que o tempo é escasso para mim. Quero muita coisa e nada faço, o tempo não me ajuda a fazê-lo mas ao mesmo tempo, eu também não tenho a capacidade e engenho para fazer essas coisas.

Será que eu quero culpar o tempo em vez de mim?

Será que a minha existência finita me leva a condenar aqueles que são infinitos?

Terei eu inveja do tempo?

Se me fizerem esta última pergunta de rompante, responderei com quase toda a certeza que não. No entanto, e analisando os últimos anos da minha vida, o que vejo é que não consigo fazer as coisas porque as forço em demasia, torno as metas tão realizáveis como se todo o mundo fosse feito com as minhas medidas. Depois, quando descubro que não funciona bem dessa maneira, acabo por condenar o tempo e toda a sua calma. Ele deve rir-se da minha pressa em viver a vida. Ou simplesmente não entende essa pressa. Inclino-me para esta última, em grande parte porque nem eu entendo correctamente o porquê dessa pressa. Desconfio que o sangue corre mais depressa nas minhas veias do que a electricidade corre nos fios que brotam das paredes cá de casa. Acho até que a própria electricidade não consegue acompanhar (quanto mais entender), a pressa com que eu quero viver a vida.

No meio disto tudo é importante constantar que quem me conhece de vista ou de conversas em amena cavaqueira, me vê como uma pessoa calma e ponderada. A palavras esquizofrenia ecoou sorrateiramente após esta última frase, mas não creio (e não quero acreditar), que me ande para aí a desmultiplicar em personalidades tão antagónicas quanto uma pessoa calma e outra completamente descontrolada no seu desejo de debitar activos numa vida pouco lucrativa.

Será que acomodei o desejo de viver intensamente a vida na minha aparente calma?

Não consigo responder a isto, e nem sequer vou pensar na resposta, pois a consequência típica de conclusões a esta pergunta é depressão ou euforia desmedida.

quinta-feira, julho 14, 2005

A teia

Adoro as pessoas que conseguem transmitir em palavras os seus sentimentos. São únicas. Podem por vezes achar que o que escreveram é sinóptico demais e pouco clarividente para os outros, mas o que realmente interessa é que conseguiram transcrever em palavras o que lhes ia na cabeça. Não digo na alma porque isso é um frase feita que me desagrada, até porque a visão da alma é algo que me escapa, do qual sou céptico. Já acreditei na natureza para além do que observamos, mas por alguma razão consegui fugir dessa teia. Só a desilusão, só uma imperfeição nessa teia nos transporta para essa falta de fé. Infelizmente aconteceu-me. Não há volta a dar para retornar a essa rara prisão agradável, o que há a fazer é seguir em frente, olhar o mundo no seu vazio, tentar encontrar respostas frias e calculistas para assuntos que não devem ser analisados dessa forma. Através desta frieza consigo discernir a fonte de todo o mal, mas não a consigo reparar. Esta é capaz de ser a maior tristeza do mundo: saber qual a raíz do mal e nada poder fazer para a solucionar...mesmo que saibamos a solução, isto porque falta-me estar dentro da teia, falta-me a crença na alma. Apenas acreditando na alma conseguimos ajudar quem necessita de ajuda, mesmo que o caminho seja muito mais longo que o de uma pessoa calculista e sem sentido de alma. Um psicólogo sem o sentido de alma é o melhor analista dos problemas, mas unicamente o psicólogo pleno de alma consegue curar. O psicólogo perfeito tem que ser, obviamente, esquizofrénico. Surreal, mas só o psicólogo doente é capaz de milagres para os quais não temos forças para sarar.

quarta-feira, julho 06, 2005

Londres 2012

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Está encontrada a cidade que irá acolher os Jogos Olímpicos em 2012. Fiquei algo decepcionado com a escolha, pois para mim, Madrid reunia as melhores condições climatéricas e logísticas (os vários acampamentos olímpicos ficariam no máximo a 10km dos locais de competição). Além disso, tanto Londres como Paris já acolheram Jogos Olímpicos anteriormente, enquanto Madrid não. O facto de Barcelona ter recebido os Jogos em 1992 foi certamente um outro factor contra a candidatura madrileña. Paris foi a grande derrotada, já que a era apontada como favorita desde o ínicio e apesar disso perdeu. Apoiada por Chirac, esta foi outra derrota política do presidente após o chumbo dos franceses no referendo da Constitução Europeia.

terça-feira, junho 28, 2005

Estado político português em Junho de 2005:

PSD, restantes partidos da oposição, sindicatos e opinião pública generalizada são equivalentes a debate político baseado em antagonia a tudo o que o governo execute e sem soluções no argumento que utilizam. O termo "trapalhada contabilística" pode servir bem como chacota política, mas para mim, e devido ao vazio de soluções que apresentou, representa pura perda de tempo.

O meu único desejo para a política portuguesa é que os portugueses não tenham memória curta e saibam dar o devido tempo a um governo que pode ser medíocre, mas no qual temos que nos fiar para reanimar um país em coma desde o segundo mandato cavaquista.

terça-feira, junho 21, 2005

Informação útil:

Época de exames = raciocínio retrógado e de fácil entendimento

segunda-feira, maio 23, 2005

Separados à nascença

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Em cima: Hokusai: Fuji
Em baixo: Cezánne: Saint-Victoire

Separados por tanta distância e no entanto, com os mesmos motivos por detrás da sua obra: a magnificiência da montanha, personificação da força da natureza que se ergueu perante cada um dos olhares atentos dos artistas. Fico até com a sensação, que se Cézanne tivesse nascido no Japão e Hokusai na França, o resultado seria o mesmo que o obtido pela história.

quinta-feira, maio 19, 2005

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Édouard Manet (1832-1883): Un bar aux Folies-Bergeres

Mal sabia Manet que o seu reflexo nesta pintura originaria um debate tão aceso e uma aventura tão sinuosa pelos conceitos estéticos. Aqui se prova que um artista tem a natureza tão perto de si que se confunde com ela mesma.

quarta-feira, maio 18, 2005


Final da Taça UEFA

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Sporting 1 - 3 CSKA Moscovo

É dificil falar sobre este assunto, visto que a derrota ainda está muito presente nas mentes dos portugueses e para além disso, existe um género de fantasma do Euro2004 pelo ar que torna complicado pensar no impacto desta derrota. Antes de mais há que assinalar que se trata mais de uma derrota do Sporting, do que de uma vitória do CSKA. Curiosamente, o CSKA ainda não tinha ganho qualquer jogo fora de casa nesta prova da UEFA, no entanto foram ganhar precisamente no dia em que não deviam.
O resultado está feito, não penso que sirva de muito saber que o Rogério podia ter empatado e nesse contra-ataque os russos tenham matado o jogo, como também não me interessam as declarações de vitória ou derrota, visto que estas, qualquer que seja a final, são sempre as mesmas.
O que me interessa de facto, é reconhecer que o Sporting, enquanto clube, esteve à altura do evento. Uma organização impecável e sem problemas, uma equipa que lutou até ao fim e sobretudo, uns adeptos com um fair-play notável. Perdido o jogo, os adeptos do Sporting não se coibíram de aplaudir o adversário, honrando o espectáculo com aquilo que tem de melhor: o desportivismo. Podiam ter adornado a conquista da taça pelos russos com um coro de assobios, mas preferiram aplaudir e festejar o evento.
Porque no fundo, trata-se apenas de um jogo de futebol. E o Sporting enquanto instituição de elevado poder para com o público, deu o melhor exemplo. Estes gestos não têm preço e revelam aquilo que é um adepto sportinguista.

Viva o Sporting! Viva o CSKA! Viva o Futebol!

quinta-feira, maio 05, 2005

Para onde caminhas Portugal?

Há certas notícias que por muito graves que sejam, nos passam ao lado, mas há outras que nos tocam nos pontos mais frágeis, e por isso são tão difíceis de lidar. No entanto, há que olhar para a notícia em si e apurar responsabilidades. Para que não mais volte a acontecer.

Estive a ver o Opinião Pública desta manhã na SIC Notícias. O programa era sobre a protecção das crianças, surgido naturalmente devido aos últimos acontecimentos no Bairro do Aleixo, onde o brutal assassinato da jovem Vanessa, de apenas 5 anos, ocorreu. O comentador convidado era um membro da Comissão Central para a ajuda e protecção das crianças em risco, orgão que está acima das mais de 200 comissões de ajuda e protecção espalhadas pelo país.
E o primeiro dado do porquê destas comissões não funcionarem eficientemente foi rapidamente demonstrado: ele não conseguia responder à maior parte das questões relacionadas com as comissões por, imagine-se, falta de informação e de dados.
O segundo dado surgiu também depressa e com a definição das comissões, visto os telespectadores que interviram no programa terem mostrado a sua revolta pela passividade das mesmas. Ora, as comissões para a protecção de crianças em risco têm como função proteger a criança de forma não judicial, mas sim de acompanhamento, seguindo dois passos:
- No primeiro passo têm que averiguar se a criança está mesmo em perigo de forma a proceder-se a um diagnóstico da sua situação.
- No segundo passo existe uma análise desse diagnóstico para se decidir se há ou não lugar a uma medida de protecção.

Simples? Não! As coisas em Portugal possuem demasiados paradoxos e alíneas para serem consideradas simples. Isto porque devido à reforma na função pública, há falta de pessoal nestas comissões. Isto não impede contudo que as pessoas que aí trabalham, se disponham a trabalhar apenas durante a manhã ou a tarde. Este dado significa que a Comissão Central falhou na gestão das várias comissões, pois não pode obrigá-las a trabalhar a tempo inteiro, se bem que neste caso está entre a espada e a parede, visto que não tem poder judicial sobre as vítimas nem sobre os seus próprios empregados e apesar de tudo isto, é um serviço conectado com o Estado. Para variar chegámos à eterna raíz do mal: o Estado.

Mas eu não gosto que o processo seja sempre este, e por isso é preciso apurar responsabilidades às comissões e mesmo ao cidadão comum:

- Porque as vizinhas que tudo sabiam não informaram ninguém? É preciso acontecer uma tragédia para se tomar a iniciativa. Isto é algo que está tão intrínseco ao nosso povo, assim como o nosso natural negativismo.

- Porque não há acções informativas junto ao cidadão por parte das comissões? Da minha parte, eu não faço ideia aonde me devo dirigir, que telefones usar e com quem falar. Estas acções informativas poderiam "matar dois coelhos de uma só vez", pois informavam o cidadão e além disso podiam apelar ao voluntariado, como tantas outras associações o fazem. Resolvia-se parte do problema da falta de pessoal e as pessoas, nem que seja uma dezena delas, saíam mais informadas.

- Questionamos diariamente o Estado e as suas medidas, mas esquecemo-nos que ele é o ultimo recurso em caso de desespero. Logo, tem que ser cada um de nós a contribuir de uma forma civilizada e com debate de opiniões, em vez de só dizer mal mas não mostrar qualquer tipo de solução, para a melhoria constante do orgão estatal. É urgente a reforma na administração pública e na justiça, pois os enquadramentos legais não permitem que os casos judiciais sejam resolvidos de forma célere como deveriam ser. Mas também é urgente que nós mudemos as mentalidades. Há quem se esqueça, mas quem fala mal do estado é o mesmo que incendeia a floresta portuguesa, que suja as praias, que conduz mal e que comete este tipo de crimes. Não nos serve de muito falarmos de uma hipocrisia dos serviços, quando no debate politico o que vemos é o insulto bárbaro em contraste com a falta de soluções. Não nos serve falar de filas de espera nos serviços públicos quando somos os mesmos que não deixamos que ninguém nos passe à frente.

Não sei como acontece, mas a origem do problema para mim, vai sempre dar ao mesmo: falta de civismo proveniente de uma educação em crise. O epicentro de todo o problema é sempre a educação, e é no minímo estranho que se trate este assunto de maneira tão leve. Educação e Saúde são os alicerces de qualquer sociedade estável e feliz. Não entendo porque as prioridades deste país não são estas. Se continuar tudo por fazer, não me admira que um novo 25 de Abril ecoe cada vez mais em cada nova conversa.

segunda-feira, maio 02, 2005

Aku

Por vezes tenho a raiva que me podia levar a isso. Mas são momentos de cólera que passam rapidamente, pois tenho a sorte de ter sido bem aconselhado nos momentos exactos. Pelo menos é assim que olho a maior parte da minha vida. No entanto surge sempre a dúvida universal:

"e se tivesse acontecido de outra forma?"

A resposta é invariavelmente igual:

"vive o presente e não o passado"

Os conselhos têm a sua utilidade, mas infelizmente os úteis são sempre dados por pessoas em pior condição que a nossa, pessoas que nos compreendem tão bem que não querem que soframos o mesmo que elas, porque afinal, elas sabem o que estamos a viver porque em qualquer parte do passado, também passaram por isso.
Custa ouvir a história de quem sofre e nunca uma única vez foi bafejado pela sorte, mas ainda assim, continua a caminhar sem objectivo. Havia outra forma dessa pessoa ter vivido a vida? Está ela a viver o passado a cada passo que toma no seu caminho disperso ou simnplesmente está a viver o presente na mais pura das formas?

Quem me dera viver também o presente.

domingo, abril 24, 2005

A cultura e a identidade europeia

Recorrendo a um texto de Eduardo Lourenço, um grande pensador da Europa, irei procurar com este texto problematizar algumas das suas questões, adicionando também outras por mim idealizadas. Isto é também uma forma de expôr parte da matéria que estudei para o teste de terça-feira :)
O primeiro ponto a reter do texto que li, é que para avançar por algum pensamento definidor de um caminho para a Europa, primeiro temos que definir dois conceitos-chave: cultura e identidade. E pela minha análise do texto, parece-me relativamente acessível a definição de cultura e de identidade, mas é de extrema dificuldade a ligação que possamos fazer entre os dois conceitos.

Começemos pela cultura:
Para Lourenço, a Europa sem valores culturais tornar-se-ia em algo como uma Disneyland, onde todos estavam misturados, atraídos pela curiosidade do evento, mas poucos saberiam o porquê da coisa. Cultura é acima de tudo, a necessidade de nos conhecermos melhor a nós próprios e aos que nos rodeiam.
Para evidenciarmos uma cultura precisamos, obviamente de estandartes. Bandeira, moeda, língua, nomes sonantes do passado, entre outras coisas. De uma forma resumida: tudo o que seja bom para atirar ao telhado do outro vizinho.

Agora a identidade:
Para a construção de uma Identidade, neste caso a europeia, precisamos de dois ingredientes:
- minimo cultural
- memória europeia

O minimo cultural é o fundamental para se poder entrar na nobreza europeia. Por exemplo, a democracia é um ponto assente nas estruturas politicas dos países-membros da União Europeia. Para nos deixarem entrar no grupo, temos que nos submeter a essa pequena regra: temos que ser regidos por um regime democrático. Este é um minimo cultural. Outro é a religião. Assente numa matriz judaico-cristã, a UE olha com desconfiança para o Médio Oriente, apesar do seu futuro se extender para aí. O porquê dessa aventura para terras "pouco" europeias é um debate de dificil compreensão, pois tem quase tudo contra e pouca coisa a favor, a saber: tem contra o facto de não partilhar a mesma religião, do regime politico ser outro, dos direitos humanos ser uma palavra pouco apreciada para essas bandas, da História nos indicar que para lá de Constantinopla (actual Istambul) é território asiático e não europeu (exceptuando o período da cruzada de Alexandre, o Grande) e por fim, da maior parte das tradições não dizer nada aos europeus. A favor, tem o facto de podermos descobrir uma cultura nova e assim podermos continuar o progresso que tanto fascina o europeu e o de tentar quebrar uma história milenar feita de desiquilibrios e conflitos constantes, ou seja, uma tarefa de dimensão biblica.

Essa mesma história europeia é também o fio condutor para a maior parte dos conflitos europeus - a memória histórica dos conflitos foi e é o entrave maior ao avanço europeu, pois é um obstáculo poderoso à identidade europeia.
Para finalizar o estudo ao texto de Eduardo Lourenço, resta abrir um pouco do livro no que respeita à sua afirmação de que a cultura europeia é uma cultura prometaica. Prometeu era um individuo, que segundo a mitologia grega, roubou o fogo aos deuses e por isso foi punido. Todas as noites uma águia ia ao seu encontro e comia-lhe o fígado, que se regenerava durante o dia. Para um grande crime, um castigo eterno. Simpáticos os gregos.
Voltando ao assunto, a cultura europeia é prometaica, pois procura algo que nunca foi dela (a Ásia Menor e o Médio Oriente), e por isso é castigada da maneira mais dolorosa possível: nas suas cidades principais, centros de globalização, centros do Ocidente. A minha dúvida é se estamos a tratar de um castigo eterno ou não, ou seja, se as regiões em causa nunca poderão ser de facto, europeias. E aqui voltamos à questão fulcral que assola a mente de cada europeu que olha com um misto de desconfiança e de esperança para a Europa: o que é de facto a Europa? Que valores controem o que designamos hoje por Europa, sabendo que nada a consegue definir isoladamente?
De resposta muito dificil, mas também um dos debates mais apaixonantes do presente, passado e futuro.
Falta de ritmo

Ando numa de nada. Não consigo acompanhar o ritmo da escola, o ritmo das conversas...enfim, o ritmo da vida. Não sei se são os outros que andam mais apressados que o normal, se sou eu que não consigo entrar no ritmo dos outros. E se pensarmos numa perspectiva social, procurando saber quem impõe os ritmos e que factores não humanos os condicionam, aí temos pano para as mangas da reflexão.